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Colômbia terá 2º turno presidencial entre extrema direita e esquerda governista
O candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella disputará a Presidência da Colômbia em um segundo turno contra Iván Cepeda, da esquerda governista, após um primeiro turno apertado realizado neste domingo (31).
Com 99% dos votos apurados, o excêntrico advogado e admirador de Donald Trump venceu com 43,77%, impulsionado por sua proposta linha-dura contra a violência da última década no país.
Em 21 de junho, ele voltará a enfrentar o senador Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, o primeiro político de esquerda a governar a Colômbia, que não podia disputar a reeleição. Apesar de liderar a maioria das pesquisas, Cepeda ficou em segundo lugar, com 40,9% dos votos.
"O Estado é criado para oferecer segurança. Se não cumpre sua missão, para que temos Estado?", disse à AFP Víctor Castellanos, professor universitário de 32 anos.
Com um discurso antissistema e apelidado de "El Tigre", De la Espriella encarna a rejeição ao presidente Petro, que promoveu negociações de paz com todos os grupos armados do país sem conseguir pôr fim à violência após o acordo de paz com a guerrilha das Farc em 2016.
Até o segundo turno, o candidato de extrema direita poderá buscar mais apoios entre os setores da direita, que chegaram divididos a esta eleição. A candidata Paloma Valencia, herdeira política do ex-presidente de direita Álvaro Uribe, ficou em um distante terceiro lugar, com 6,9%.
Por sua vez, a esquerda tentará ampliar seu apoio entre os eleitores de centro e as classes populares, onde continua muito popular graças aos programas sociais promovidos por Petro.
- Pela "segurança" -
De la Espriella votou pela manhã em Barranquilla, a cidade caribenha que considera sua casa, cercado por seguranças com escudos à prova de balas.
"Hoje estamos defendendo a democracia e a liberdade da Colômbia. Esta é a batalha mais importante da história republicana e vamos vencer no primeiro turno para derrotar a tirania e derrotar os de sempre"”, declarou o advogado, que já defendeu diversas personalidades, incluindo narcotraficantes e estrelas do futebol.
De la Espriella propõe reduzir em 40% o tamanho do Estado para enfrentar a crise fiscal e incentivar o investimento privado.
Também promete extinguir o tribunal criado a partir do acordo de paz e adotar medidas radicais, como a pena de morte ou prisão "dez andares abaixo da terra" para mafiosos.
A campanha ocorreu em um ambiente de polarização e medo, marcado por atentados mortais atribuídos a guerrilhas, o assassinato de um candidato presidencial em 2025 e a recusa dos principais candidatos em participar de debates.
Cepeda e De la Espriella não discutiram suas propostas frente a frente, apesar dos múltiplos convites feitos por universidades e veículos de comunicação.
Os apoiadores do advogado simpatizam com a saudação militar e referências ao patriotismo. Neste domingo, muitos votaram vestindo a camisa da seleção colombiana de futebol.
"Vejo nele um homem decidido, de personalidade (...) A segurança é o que precisamos neste momento", disse à AFP Kelly Mayorga, vendedora de flores de 43 anos.
- "Surpreende" -
Filho de um político comunista assassinado por agentes estatais e paramilitares, o senador votou em um bairro popular de Bogotá onde cresceu antes de se exilar na antiga Tchecoslováquia, Bulgária e Cuba devido à perseguição sofrida por seu pai.
"Vamos celebrar o segundo governo progressista na Colômbia", afirmou mais cedo o candidato, filósofo e defensor dos direitos humanos que costuma estar cercado por indígenas, camponeses e ambientalistas.
Na sede de campanha de Cepeda, em Bogotá, o clima era de desânimo.
"Nos surpreende o avanço da extrema direita", disse Jorge Enrique Cortés, professor de 69 anos.
Com uma campanha sóbria, Cepeda recebeu apoio direto de Petro. O presidente, ex-guerrilheiro que assinou a paz em 1990, foi o grande protagonista da campanha após um governo disruptivo no qual entrou em confronto com o Congresso, os tribunais, a Procuradoria-Geral e o banco central.
Cepeda propõe dar continuidade às políticas de Petro e aposta nos "excluídos" em um dos países mais desiguais do mundo.
A oposição o critica por ser um dos arquitetos da "Paz Total", política com a qual Petro tentou, sem sucesso, negociar com as organizações que permaneceram armadas após o acordo firmado com as Farc.
R.Braegger--VB