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Alguns israelenses sonham em se estabelecer no sul do Líbano
De sua casa em um assentamento israelense na Cisjordânia ocupada, Anna Sloutskin anseia expandir as fronteiras de seu país e se mudar um dia para o sul do Líbano. E ela não é a única.
Anna Sloutskin, uma bióloga de 37 anos, cofundou, em 2024, o Uri Tzafon ("Desperta, vento do norte", uma passagem da Bíblia), um movimento de extrema direita formado por dezenas de famílias, segundo ela.
O grupo planeja a expansão de Israel em direção ao norte, se estendendo assim pelo menos até o rio Litani, a 30 quilômetros da fronteira com o Líbano.
No âmbito de seu conflito com o Hezbollah, o exército israelense já ocupa uma faixa no sul do Líbano, que define como uma zona de segurança para proteger seu território dos disparos do movimento pró-iraniano.
Apesar do cessar-fogo vigente desde abril, os soldados destroem casas e infraestruturas nesta área, da qual um milhão de libaneses já foram embora.
"A ideia é que a maioria da população vá embora, que mudemos a linha fronteiriça e não deixemos que esta população volte, e que esta área permaneça como parte do Estado de Israel", diz Sloutskin.
Esta bióloga montou o grupo em memória de seu irmão Israel Sokol, um soldado israelense assassinado em Gaza em 2024.
"Ele sonhava em se estabelecer no Líbano", afirma de um mirante próximo ao assentamento de Karnei Shomron, no norte da Cisjordânia ocupada.
"Ele disse que queria viver em um lugar onde fosse verde no verão e branco no inverno", acrescenta.
- "O primeiro passo" -
Embora o governo israelense não tenha expressado um apoio direto ao movimento, deu sinal verde a outros projetos de assentamentos na Cisjordânia, ilegais aos olhos da comunidade internacional.
"O que as FDI (Forças de Defesa de Israel) estão fazendo agora é apenas o primeiro passo", afirma Sloutskin. O exército "entra, conquista e limpa. Depois não devemos recuar, e sim nos instalar".
A cofundadora do Uri Tzafon insiste que os assentamentos judeus são fundamentais para a segurança de Israel e para acabar com o conflito entre Irã e o movimento Hezbollah pró-iraniano, aliado de Teerã.
Sem contar Jerusalém Oriental, mais de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia ocupada.
Em fevereiro, Uri Tzafon organizou uma viagem para plantar árvores na fronteira com o Líbano, publicou fotos de crianças sorrindo ao lado de bandeiras israelenses e de faixas colocadas sobre o muro fronteiriço, ato condenado pelo exército.
- "A terra de Israel" -
O movimento Uri Tzafon conta com mais de 600 membros em seu canal no Whatsapp e mais de 900 no Telegram.
Ori Plasse, agricultor de 51 anos, se juntou ao grupo desde o início. Ele já era membro ativo nos assentamentos na Cisjordânia e em Gaza.
Este americano confessou à AFP que tentou entrar no Líbano ilegalmente através de uma passagem fronteiriça. Sua intenção era montar uma barraca, plantar árvores e começar um movimento mais amplo.
A chegar, soldados israelenses rapidamente o escoltaram para fora. Ainda assim, descreveu a experiência como "maravilhosa".
"Você sente que está em casa, sente que é o seu país", disse de sua residência em Moshav Sde Yaakov, no norte de Israel.
Em seu jardim, Plasse abre com entusiasmo um velho contêiner com material para novos assentamentos: colchões, sacos de dormir e capas de plástico.
Dentro há um livro com mapas de Israel bíblico, que se estende do atual Egito até o Iraque.
"Qualquer pessoa que siga os ensinamentos da Torá (...) deveria saber que nos prometeram a terra de Israel, em linhas gerais, do Nilo até o rio Eufrates", afirmou.
Com as eleições se aproximando de Israel, Uri Tzafon busca ter o apoio de políticos, mas as respostas são muito "vagas por enquanto".
Anna Sloutskin se reuniu brevemente com a ministra de Proteção ao Meio Ambiente, Idit Silman. Alguns deputados e ministros concordam com ela, afirmou.
"Alguns dizem isso abertamente, outros em voz baixa, mas definitivamente há um apoio".
I.Stoeckli--VB