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Líbano e Israel negociam nos EUA às vésperas do fim do cessar-fogo
Líbano e Israel celebram, nesta quinta-feira (14), novos diálogos de paz em Washington, enquanto o cessar-fogo mais recente, considerado ainda vigente apesar das centenas de mortes provocadas por ataques israelenses, se aproxima do fim.
O exército israelense registrou, nesta quinta-feira, ataques contra alvos do grupo pró-iraniano Hezbollah no sul do Líbano, após ter alertado moradores de várias cidades e aldeias da região - assim como do leste do país - a deixarem suas casas.
Também informou que um drone do Hezbollah caiu em território israelense, ferindo vários civis.
A Agência Nacional de Notícias libanesa (NNA) reportou ataques aéreos israelenses no sul e no leste do país, inclusive em áreas não abarcadas pela advertência de evacuação, um dia depois de o Ministério da Saúde ter informado que uma série de bombardeios tinha matado 22 pessoas, oito delas crianças.
Um diplomata a par das negociações de paz, que se estenderão por dois dias em Washington, destacou que esta terceira rodada de tratativas entre delegados dos dois países começaram pouco após as 09h locais (10h de Brasília) no Departamento de Estado.
Representantes libaneses e israelenses tinham se reunido pela última vez em 23 de abril na Casa Branca, onde o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma prorrogação de três semanas do cessar-fogo e expressou otimismo sobre a possibilidade de alcançar um acordo histórico entre Beirute e Tel Aviv.
Trump antecipou, então, que, durante o período de prorrogação de três semanas do cessar-fogo, receberia em Washington o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, para realizar uma primeira cúpula entre os dois países, que não têm relações diplomáticas.
A cúpula não chegou a ser realizada. Aoun declarou que antes de celebrar um encontro de tal magnitude era necessário um acordo de segurança e o fim dos ataques israelenses.
Ali Ammar, deputado do partido Hezbollah, reiterou, nesta quinta-feira, o repúdio de seu grupo a diálogos diretos, afirmando que equivaleriam a fazer "concessões gratuitas" a Israel.
O cessar-fogo, que começou em 17 de abril, permanecerá vigente até o domingo.
— Ataques contínuos —
Os bombardeios israelenses causaram a morte de mais de 400 pessoas desde o início da trégua, segundo um balanço da AFP a partir de dados do Ministério da Saúde libanês.
"Qualquer um que ameaçar o Estado de Israel morrerá por consequência de suas ações", declarou Netanyahu na semana passada, depois que um ataque israelense nos subúrbios do sul de Beirute matou um alto comandante do Hezbollah.
Um funcionário libanês informou à AFP que o país buscaria "a consolidação do cessar-fogo" durante as conversas em Washington. "O primeiro é pôr fim à morte e à destruição", disse à AFP sob a condição do anonimato.
O Irã exige um cessar-fogo duradouro no Líbano antes de qualquer acordo para encerrar a guerra mais ampla na região.
Os ataques lançados por Israel no Líbano desde 2 de março causaram a morte de mais de 2.800 pessoas — inclusive pelo menos 200 crianças —, segundo as autoridades libanesas.
O Líbano instou Israel reiteradamente a retirar suas tropas do sul do país e insiste em estender a soberania estatal a todo o seu território, como parte de um compromisso obtido no ano passado para desarmar o Hezbollah.
Os Estados Unidos, por sua vez, consideram que "uma paz integral depende do pleno restabelecimento da autoridade estatal libanesa e do desarmamento total do Hezbollah", segundo um comunicado do Departamento de Estado.
As negociações realizadas em Washington "têm como objetivo romper de forma decisiva com a abordagem fracassada das últimas duas décadas, que permitiu aos grupos terroristas se entrincheirarem e enriquecerem, minar a autoridade do Estado libanês e pôr em perigo a fronteira norte de Israel", acrescentou o comunicado.
burs-sct/bgs/dg/mr/mvv-jc
N.Schaad--VB