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Seleção do Irã viaja ao México para Copa e governo critica EUA por negar vistos
A seleção do Irã decolou neste sábado (6) da Turquia rumo ao México para disputar a Copa do Mundo na América do Norte (11 de junho a 19 de julho), depois de um imbróglio público nas últimas horas sobre os vistos negados pelos Estados Unidos a vários membros de sua delegação.
O avião que leva a equipe partiu de Antalya e deve chegar ao México no domingo.
No contexto da guerra no Oriente Médio, a participação do Irã na Copa do Mundo ficou em dúvida e o processo de retirada de vistos para sua delegação foi atrasado a tal ponto que eles transferiram seu local de concentração de Tucson (Arizona, Estados Unidos) para Tijuana (México, próximo à fronteira).
Na sexta-feira, o embaixador americano na Turquia, Tom Barrack, anunciou que os vistos haviam sido concedidos aos jogadores e à "equipe de apoio necessária" para entrarem nos Estados Unidos, onde a seleção iraniana tem agendados seus três jogos da fase de grupos.
Mas o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, afirmou neste sábado que a equipe deverá entrar e sair dos Estados Unidos nos dias de seus jogos e que 15 membros da delegação não receberam o documento migratório.
"Eles podem entrar pela manhã e terão que sair no mesmo dia", disse Pasandideh em entrevista coletiva em Tijuana.
O diplomata reiterou que 15 membros da delegação iraniana, a maioria dirigentes e parte da comissão técnica, ainda não têm vistos americanos, o que será um "desafio" para a equipe.
A embaixada iraniana na Turquia já havia advertido sobre esta situação na rede social X: "Por que não mencionam que os vistos foram negados a grande parte dos dirigentes e dos executivos, aos auxiliares técnicos e a outras pessoas que integram qualquer seleção nacional de futebol?".
Nessa mensagem, a missão diplomática denunciou que o "tratamento discriminatório" contra sua seleção havia chegado "ao seu nível mais elevado".
Um funcionário do governo americano confirmou neste sábado que "os vistos necessários para a participação do Irã na Copa do Mundo, incluindo para atletas e comissão técnica essencial", foram concedidos.
"Não permitiremos que a equipe iraniana abuse desse sistema para fazer terroristas entrarem clandestinamente nos Estados Unidos sob falsos pretextos", acrescentou esse funcionário, sem dar mais detalhes.
Segundo vários veículos de imprensa do Irã, incluindo o portal esportivo Varzesh3, o presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mehdi Taj, não obteve visto.
- Dois amistosos, duas vitórias -
O Irã foi um dos primeiros países a se classificar para a Copa do Mundo de 2026, mas sua participação esteve sob sério risco nos últimos meses, desde o início da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.
A seleção iraniana tem estreia marcada para o dia 15 de junho em Los Angeles, mesma cidade que receberá o jogo contra a Bélgica seis dias depois. A fase de grupos termina no dia 26 de junho, contra o Egito, em Seattle.
Durante a preparação na Turquia, o Irã disputou dois amistosos e venceu ambos: o primeiro por 3 a 1 contra a Gâmbia, em 29 de maio, e o segundo por 2 a 0 contra o Mali, na última quinta-feira.
Apenas algumas horas depois de confirmar que permitiria a entrada de jogadores iranianos, os Estados Unidos anunciaram novos ataques contra o Irã, apesar do cessar-fogo teoricamente em vigor desde o dia 8 de abril.
T.Suter--VB