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UE poderá pagar 'preço muito alto' por multa ao Google, ameaça Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira (24) atingir a União Europeia (UE) com tarifas e uma investigação comercial formal devido à mais recente sanção antimonopólio de Bruxelas contra o Google.
Em uma publicação em sua plataforma Truth Social, Trump disse que o bloco "pagará um preço muito alto por essa conduta ilegal e altamente antiética" sobre a qual ele tem "advertido constantemente", e afirmou que os Estados Unidos imporão uma "TARIFA considerável (...) o mais rápido possível".
Disse ainda que iniciaria "imediatamente uma investigação sob a Seção 301" sobre o que qualificou como a prática da UE de "ROUBAR" as empresas americanas. A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 permite a Washington investigar práticas estrangeiras que considere discriminatórias e responder com tarifas.
A União Europeia impôs na quinta-feira ao Google duas multas totalizando 890 milhões de euros (R$ 5,14 bilhão), uma decisão que ameaça as relações comerciais com os Estados Unidos.
Esse valor global representa a sanção mais elevada imposta por Bruxelas a uma empresa na aplicação do Regulamento dos Mercados Digitais (DMA), uma poderosa lei europeia destinada a reprimir abusos de posição dominante por parte dos gigantes da tecnologia.
A ameaça de Trump veio um dia depois de a Casa Branca anunciar novas tarifas gerais de 10% a 12,5% a 60 parceiros comerciais, incluindo a UE. Os novos encargos entraram em vigor nesta sexta após as investigações e se basearam na mesma justificativa jurídica da Seção 301.
Trump vem tentando reconstruir seu muro tarifário - e sua capacidade de impor taxas com pouca antecedência - depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou muitas de suas tarifas em fevereiro.
- As multas -
O Google foi sancionado em 460 milhões de euros (R$ 2,66 bilhões) por ter favorecido seus próprios serviços nos resultados de seu mecanismo de busca, afirmou a Comissão Europeia, o braço executivo da UE.
Somou-se uma segunda multa de 430 milhões de euros (R$ 2,48 bilhões) por impedir que os desenvolvedores da loja de aplicativos Google Play redirecionassem os usuários para outros canais de venda.
"É uma decisão muito importante", disse a vice-presidente da Comissão encarregada da área Digital, Henna Virkkunen, destacando que tem como objetivo "garantir condições de concorrência equitativas" para todas as empresas online.
O gigante americano da tecnologia respondeu que essa decisão irá prejudicar serviços muito apreciados pelo público.
"Para cumpri-la, somos obrigados a retirar funcionalidades de busca em tempo real que os europeus valorizam, como a exibição instantânea de preços e a disponibilidade direta de hotéis, voos e restaurantes, bem como a desmantelar proteções de segurança na Google Play", protestou Kent Walker, presidente de assuntos globais do Google, em uma declaração enviada à AFP.
Após o anúncio da UE, o representante da Casa Branca para o Comércio (USTR), Jamieson Greer, advertiu que a multa representa "um verdadeiro risco para a manutenção da estabilidade (comercial) transatlântica".
C.Bruderer--VB