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Vários incêndios cercam Madri e obrigam a evacuar milhares de pessoas na França e na Espanha
Milhares de pessoas foram retiradas, nesta sexta-feira (24), na região de Madri devido a vários incêndios descontrolados, assim como no sudoeste da França, onde o fogo ameaça áreas turísticas.
"Estamos vivendo uma situação dramática, não apenas em diferentes províncias espanholas, mas também em regiões de países vizinhos", disse o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, que na quinta-feira (23) declarou estado de emergência na região de Madri e na vizinha região de Castela e Leão.
Ao menos 26 mil pessoas foram evacuadas ou se encontram confinadas na região de Madri devido ao "pior incêndio da história" da região, anunciou a presidente regional Isabel Díaz Ayuso.
"Para uma região como esta, com uma forte concentração de casas e de população, é uma catástrofe", lamentou em uma coletiva de imprensa.
Nesta sexta-feira, os bombeiros lutavam para impedir que os diferentes focos de incêndio convergissem, mas não tiveram êxito.
Agora o medo é que o incêndio na região de Madri (que queimou 6 mil hectares) e outro na província vizinha de Castela e Leão (9 mil hectares devastados) se unam, o que daria muito mais força ao fogo.
"Falta muito pouco" para que isso ocorra, alertou Nicanor Jorge Sen Vélez, o delegado do governo na região de Castela e Leão. "É uma notícia muito ruim".
Por sua vez, a Guarda Civil deteve uma pessoa e outra está sendo investigada como possíveis autores do incêndio em Castela e Leão.
"A causa de sua origem foi uma imprudência grave pelo uso de maquinário pesado na área onde o fogo começou, onde isso estava totalmente proibido", o que teria provocado as faíscas que iniciaram o fogo, indicou.
Embora ainda longe da capital, as chamas atingem uma série de municípios residenciais bastante povoados, muitas vezes cercados por colinas, áreas de mata e vegetação rasteira que favorecem a propagação do fogo.
"Tenho 53 anos e já vi incêndios grandes, mas não um tão grande como esse", afirma Félix Hernández, vereador do município de Aldea del Fresno, que foi totalmente evacuado.
Desde 1º de janeiro, quase 130 mil hectares na Espanha foram queimados, em comparação com 393 mil em todo o ano de 2025.
As condições meteorológicas complicam o trabalho dos bombeiros e dos militares que tentam conter as chamas, segundo imagens divulgadas pela Guarda Civil.
"Temos uma situação adversa, como vocês podem ver pelo vento. (...) Temos estimativas superiores a 50 km/h, a temperatura também não vai facilitar a nossa tarefa, nem o grau de umidade", indicou o ministro do Interior, Fernando Grande Marlaska, a partir do posto de comando instalado na área.
- 67 mil evacuados na França-
Na França, o fogo também não dá trégua, e devasta zonas próximas à cobiçada região vinícola de Bordeaux, no sudoeste do país, onde os incêndios obrigaram moradores e turistas a fugir da península de Cap Ferret de barco e por estrada, em plena temporada de férias de verão.
No total, cerca de 67 mil pessoas foram retiradas das duas áreas ameaçadas pelas chamas, Cap Ferret, na Gironda (onde o fogo já queimou mais de 12.500 hectares, mais que a área de Paris), e no departamento de Landas (sudoeste).
Este ano é o segundo com maior área queimada por incêndios na União Europeia desde que começaram os registros, há 20 anos, segundo dados de satélites do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (Effis) analisados pela AFP.
Desde o início do ano, mais de 50 mil hectares queimaram em incêndios na França, quase o triplo do registrado no mesmo período de 2025, indicou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Em um ginásio poliesportivo na cidade de Lège Cap Ferret, Maria Lalanne, uma moradora de 90 anos e sem família, foi retirada durante a noite e teve que deixar em casa o seu aparelho auditivo e seus óculos. "Não sei quanto tempo isso vai durar. Não sei o que aconteceu com a minha casa", diz, atordoada.
As florestas queimam com mais facilidade porque a vegetação e os solos europeus sofrem, há meses, com uma seca agravada pelas ondas de calor excepcionais que atravessaram o continente em junho e julho, fazendo evaporar mais água.
É precisamente a mudança climática, causada principalmente pela combustão contínua de petróleo, carvão e gás, que torna mais grave a seca atual, concluíram climatologistas do grupo World Weather Attribution em um estudo publicado na quinta-feira (23).
burs/hgs-pb/dbh/pc/mab/rm/aa
K.Hofmann--VB