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Fifa aproveita Copa do Mundo para atrair público jovem nas redes sociais
Com uma multidão de legião que já não acompanham o futebol nos canais de televisão tradicionais, a Fifa estabeleceu parcerias com as redes sociais e a Netflix para expandir seu público e encontrar fontes de receitas adicionais durante a Copa do Mundo de 2026.
Para esta edição do torneio, que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, México e Canadá, a entidade máxima do futebol costurou acordos importantes com o TikTok e o YouTube, designados como suas "plataformas preferidas".
No TikTok, um grupo de 30 influenciadores de 11 países recebeu credenciais para falar com seus seguidores sobre a Copa do Mundo em um formato "voltado para os torcedores", "com acesso aos bastidores" e imagens ao vivo.
Por trás dessas parcerias, existe uma constatação clara: a audiência esportiva está diminuindo nos canais de televisão, que perderam espaço para as plataformas digitais.
Nos Estados Unidos, somando todos os programas, o streaming ultrapassou, por vezes, a audiência combinada dos canais abertos e a cabo desde 2025. No Reino Unido, o número de telespectadores entre os 18 e os 34 anos caiu 34% entre 2010 e 2024.
Os jovens fãs de futebol ainda estão presentes, mas seus hábitos estão mudando.
- Mudança de hábito -
Nos Estados Unidos, por exemplo, quase um terço dos jovens com menos de 30 anos, a Geração Z, dispensa assinaturas pagas para transmissões esportivas ao vivo e prefere acompanhar vídeos e resumos nas redes sociais, de acordo com a consultoria Deloitte.
Globalmente, 20% dos aficionados por esportes desta geração não assistem a eventos ao vivo, apontou a McKinsey antes dos Jogos Olímpicos de Paris-2024.
Por enquanto, as parcerias com as redes sociais são apresentadas como "complementares às emissoras e detentoras de direitos" de televisão, esclareceu Rollo Goldstaub, chefe global de esportes do TikTok, aplicativo que afirma ter 1 bilhão de usuários em todo o mundo.
Essa aproximação com as redes sociais tem o objetivo de captar a atenção dos jovens para que eles retornem à transmissão completa.
No YouTube, os canais que adquiriram os direitos de transmissão poderão, pela primeira vez, exibir gratuitamente os dez primeiros minutos de cada jogo.
O TikTok, por sua vez, prometeu novas fontes de receita publicitária para essas mesmos canais e patrocinadores.
A televisão, no entanto, continua sendo, de longe, o principal motor financeiro da Fifa.
De acordo o relatório anual da entidade, os direitos de transmissão representaram 45% da receita de aproximadamente US$ 7,6 bilhões (R$ 38,3 bilhões na cotação atual) no ciclo de 2019 a 2022, à frente do marketing (24%) e do licenciamento (10%).
Mas a transmissão já não é exclusiva dos canais tradicionais.
A Netflix, dando continuidade à sua estratégia de conquistar o setor de eventos esportivos ao vivo, obteve exclusividade nos Estados Unidos para as edições de 2027 e 2031 da Copa do Mundo feminina.
O acordo, que inclui séries documentais, nas quais a plataforma se especializou, representa um avanço significativo para a Fifa, que até então vendia as competições femininas a um preço reduzido para atrair público.
- Adeus, Panini -
Os produtos derivados da Copa do Mundo são outra boa fonte de renda.
No dia 7 de maio, a Fifa anunciou o fim de seis décadas de colaboração com a Panini, a icônica editora italiana de álbuns de figurinhas.
A partir de 2031, a empresa será substituída pela americana Fanatics, presente nos setores de cartas colecionáveis, vestuário e apostas esportivas.
A Fanatics, que já detém a licença para produtos da Copa do Mundo de 2026, se comprometeu a distribuir gratuitamente US$ 150 milhões (R$ 756 milhões) em mercadorias para jovens de todo o mundo.
A nova parceira da Fifa cita como modelo o crescimento dos itens colecionáveis da Uefa, que passaram de um mercado de US$ 15 milhões (R$ 75,6 milhões) para mais de US$ 200 milhões (R$ 1 bilhão).
D.Bachmann--VB