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Indignação na Europa por tiros israelenses durante visita de diplomatas à Cisjordânia
O Exército israelense admitiu, nesta quarta-feira (21), ter disparado tiros "de advertência" durante uma visita de diplomatas estrangeiros, organizada pela Autoridade Palestina na Cisjordânia ocupada, em um contexto de pressão crescente da comunidade internacional sobre Israel pela guerra em Gaza.
"Qualquer ameaça à vida de diplomatas é inaceitável", reagiu imediatamente, em Bruxelas, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas. Alemanha, Bélgica, Irlanda e Egito condenaram os disparos, enquanto Itália, França e Portugal anunciaram que convocariam os respectivos embaixadores de Israel.
A Espanha também informou que convocaria o encarregado de negócios da embaixada israelense em Madri, na ausência de um embaixador na capital espanhola, e a Turquia pediu uma "investigação" imediata.
A Autoridade Palestina denunciou "o crime abominável cometido pelas forças de ocupação israelenses".
O Exército israelense explicou que a delegação "entrou em uma área onde não estava autorizada a estar" e os soldados "que operam na região realizaram disparos de advertência para afastá-los", antes de lamentar os "incômodos causados".
Segundo a agência de notícias palestina Wafa, participavam da visita representantes de vários países, entre eles Brasil, França, Reino Unido, Espanha, Canadá, Rússia, Turquia, Índia, Egito e Chile.
- Gaza à espera de ajuda -
Israel já é alvo de críticas internacionais por permitir a entrada de uma quantidade ínfima de ajuda na Faixa de Gaza, comparativamente às imensas necessidades de sua população.
"Ninguém está distribuindo nada para nós. Todo mundo está esperando a ajuda, mas não recebemos nada", declarou à AFP Umm Talal Al Masri, uma deslocada de 53 anos, residente na Cidade de Gaza, que reportou uma situação "insuportável".
"Estamos moendo lentilhas e massa para fazer algumas baguetes de pão, e só conseguimos preparar uma refeição por dia", acrescentou.
Israel anunciou que na segunda e na terça-feira, após a suspensão parcial do bloqueio total imposto a Gaza em 2 de março, permitiu a entrada de uma centena de caminhões da ONU.
As Nações Unidas denunciaram, no entanto, que isto representa uma "gota d'água no oceano".
A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) assegurou que o volume da ajuda que Israel permitiu distribuir não é nem de longe o suficiente para uma população de 2,4 milhões de pessoas, e tachou a decisão de uma "cortina de fumaça", enquanto o assédio "continua".
O Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) também lamentou os obstáculos israelenses para a entrega da ajuda a seus destinatários finais, após entrar em Gaza.
- "Ajuda humanitária digna" -
O Exército israelense intensificou sua ofensiva no fim de semana passado, prometendo derrotar os líderes do movimento islamista palestino Hamas, cujo ataque em território israelense, em 7 de outubro de 2023, desencadeou a guerra.
A comunidade internacional redobrou a pressão para que Israel cesse sua campanha militar e permita o fornecimento de ajuda.
O papa Leão XIV considerou a situação em Gaza "preocupante e dolorosa" e reivindicou "a entrada de uma ajuda humanitária digna".
Na terça-feira, o Reino Unido suspendeu as negociações com Israel, convocou o embaixador israelense e disse que imporia sanções aos colonos da Cisjordânia.
Kaja Kallas afirmou, por sua vez, que "uma grande maioria" dos chanceleres dos 27 países do bloco são favoráveis a revisar o acordo de associação com Israel.
A Alemanha defendeu, nesta quarta-feira, a utilidade deste acordo, qualificando-o de um "fórum importante" para as relações com Israel.
O chanceler israelense, Gideon Saar, considerou que as medidas da UE "refletem um total desconhecimento da realidade complexa à qual Israel está fazendo frente".
A guerra eclodiu em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas contra o sul de Israel, que deixou 1.218 mortos, civis em sua maioria, segundo um balanço baseado em dados oficiais.
Nessa data, os islamistas também sequestraram 251 pessoas. Destas, 57 continuam cativas em Gaza, embora 34 tenham sido declaradas mortas pelo exército israelense.
A campanha de represália militar de Israel custou a vida de pelo menos 53.592 pessoas, a maioria civis, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados a ONU considera confiáveis.
M.Betschart--VB