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EUA cancelará voos a partir de 6ª feira por fechamento do governo
O governo dos Estados Unidos solicitará às companhias aéreas que comecem a cancelar voos a partir de sexta-feira por falta de controladores aéreos, uma consequência do fechamento do governo mais longo da história.
Nesta quarta-feira (5), os Estados Unidos entraram no 36º dia de paralisação, um recorde que o presidente Donald Trump atribuiu aos democratas "kamikazes".
O chamado "shutdown" superou a marca anterior, de 2019, durante o primeiro mandato do presidente republicano na Casa Branca.
"Haverá uma redução de 10% da capacidade em 40 aeroportos", incluindo os mais movimentados do país, disse o secretário de Transportes, Sean Duffy, em entrevista coletiva.
"Estamos com falta de 2 mil controladores aéreos", por isso é necessário "reduzir a pressão", explicou.
"Acho que esses caras são kamikazes. Eles vão derrubar o país se precisarem", afirmou Trump, em alusão à resistência dos democratas para interromper a paralisação.
Nas últimas seis semanas, a paralisação orçamentária por falta de acordo entre os dois partidos no Congresso deixou cerca de 1,4 milhão de funcionários públicos sem salário.
Os servidores que exercem funções "essenciais", como controladores de tráfego aéreo ou forças de segurança, foram obrigados a continuar trabalhando sem pagamento.
"Hoje o sistema é extremamente seguro e continuará sendo amanhã. E, se a pressão continuar aumentando mesmo depois de tomarmos essas medidas, voltaremos e adotaremos medidas adicionais" explicou à imprensa Bryan Bedford, chefe da Agência Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), o órgão que regula o setor.
Com "35 anos de carreira no setor aéreo", Bedford diz não se lembrar de uma redução desta magnitude.
"É uma situação muito incomum. Nossos controladores não recebem pagamento há um mês. Estamos ansiosos para voltar a trabalhar normalmente", explicou.
Em média, 44 mil voos são supervisionados por dia pela FAA, segundo o site da agência.
- Exigências -
O governo está parcialmente paralisado desde que o Congresso não conseguiu aprovar um projeto de lei para manter o financiamento dos departamentos e agências federais após 1º de outubro, a data de início do novo ano fiscal.
Os republicanos, que contam com maiorias muito estreitas em ambas as câmaras, queriam que cinco senadores democratas apoiassem sua resolução legislativa para manter o financiamento até o final de novembro, enquanto o Congresso discutia as questões orçamentárias.
Mas o Partido Democrata, que observa com preocupação como Trump utiliza todo o poder a seu alcance para impor sua agenda, permanece unido.
Sua exigência é que todo o tema da reforma de saúde republicana seja interrompido imediatamente e discutido de novo do zero — o que significaria desmantelar boa parte da gigantesca lei que Trump conseguiu aprovar há menos de seis meses.
- Sinais -
Embora os líderes de ambos os lados tenham demonstrado pouco interesse em chegar a um compromisso, houve sinais de negociação entre os moderados.
Um grupo bipartidário de quatro membros centristas da Câmara dos Representantes apresentou, na segunda-feira, uma proposta de compromisso para reduzir os custos do seguro de saúde.
Os democratas acreditam que os milhões de americanos que veem os custos dispararem ao se inscreverem em programas de seguro médico para o próximo ano pressionarão os republicanos a buscarem um acordo.
Nesta quarta, Trump pediu explicitamente aos republicanos que usem a "arma nuclear" legislativa: eliminar a barreira mínima de 60 votos no Senado para contornar a oposição democrata.
"Republicanos, acabem com o obstrucionismo! Voltem a aprovar leis e reformas eleitorais!", clamou em sua plataforma Truth Social.
Acabar com o obstrucionismo é uma faca de dois gumes: o limite de 60 votos no Senado foi estabelecido justamente pelos democratas em 2013 para impedir o obstrucionismo dos republicanos.
Se o Congresso voltasse a eliminá-lo, os democratas poderiam ser tentados, no futuro, a usá-lo, por exemplo, para tentar fazer com que Porto Rico ou o distrito federal da capital Washington adquiram o status de estado da União.
I.Stoeckli--VB