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Columbia: o epicentro do movimento pró-Gaza que agita universidades nos EUA
Yazen dorme há mais de uma semana em uma área aberta da Universidade de Columbia. Ele é uma das dezenas de estudantes que protestam nos Estados Unidos contra a crise humanitária na Faixa de Gaza causada pelo conflito entre Israel e o Hamas.
Desde o último dia 15, barracas coloridas ocupam os jardins do campus, em Nova York. Dezenas de estudantes e ex-alunos pedem à direção da universidade que corte os laços com empresas ligadas a Israel.
As universidades se tornaram centros de debates nos Estados Unidos desde o ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 7 de outubro. Vários campi se uniram ao movimento de protesto, incluindo o da Universidade de Yale.
Manifestações ocorreram hoje na Universidade do Sul da Califórnia e na Universidade do Texas, onde um confronto entre estudantes e policiais resultou em mais de 20 detidos.
Diante do aumento das manifestações, a Casa Branca ressaltou que o presidente Joe Biden apoia "a liberdade de expressão" nas universidades, mas rejeita manifestações "quando há retórica de ódio ou violência". Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, criticou as manifestações pró-palestinos nas universidades americanas e pediu o fim das mesmas.
- Visita a Columbia -
Em visita a Columbia, o republicano Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, sugeriu que em breve será "um momento apropriado para a intervenção da Guarda Nacional", se as manifestações não forem contidas. Ele disse que exigirá de Biden medidas.
A morte de estudantes desarmados pela Guarda Nacional durante manifestações contra a Guerra do Vietnã, nos anos 1970, segue viva na memória dos americanos.
No campus de Nova York, os manifestantes, entre eles judeus, negaram ter cometido atos de antissemitismo. Mas outros apontaram incidentes desse tipo e afirmam que as universidades fomentam a intimidação e incitação ao ódio.
- Solidariedade -
Yazen foi um dos primeiros a se instalar nos jardins de Columbia, onde o número de acampados varia ao longo do dia, chegando, às vezes, a centenas. Ele está decidido a continuar o movimento, apesar da pressão: "Como palestino, é minha responsabilidade estar aqui e mostrar minha solidariedade ao povo de Gaza? Certamente."
A tensão aumentou na semana passada, quanto a reitoria autorizou a polícia a entrar no campus e prender os manifestantes, e suspendeu uma centena de alunos. Autoridades de Columbia dizem que querem permitir a liberdade de expressão, ao mesmo tempo que condenam comentários e atos antissemitas.
A estudante judia Melissa Saidak disse que a manifestação atraiu indivíduos agressivos e, muitas vezes, violentos. "Uma pessoa gritava comigo, ela me repreendia e me chamava de sionista e assassina", descreveu.
O prazo estabelecido pela reitora de Columbia, Nemat Shafik, para o fim do protesto terminava à meia-noite de ontem, mas, logo após esse anúncio, centenas de pessoas se somaram ao acampamento, lotando as calçadas e outras áreas verdes do campus.
Autoridades da universidade prorrogaram o prazo por 48 horas e concordaram em não chamar a polícia nem a Guarda Nacional, o que os estudantes consideraram "uma vitória importante".
Na manhã de hoje, o acampamento havia retomado a programação habitual e não parece que será desfeito.
M.Schneider--VB