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Cão Paquito e outros animais são resgatados após chuvas em MG
Tremendo e assustado, mas a salvo. Paquito, um pequeno cachorro de pelagem branca e preta, foi resgatado em uma área de alto risco, dois dias depois das chuvas torrenciais que deixaram mais de 50 mortos na região da Zona da Mata de Minas Gerais.
Quando as áreas afetadas por deslizamentos de terra foram evacuadas, muitos animais acabaram ficando para trás.
"O pessoal sai de casa correndo e não tem como levar os animais, então a gente resgata dos escombros, leva para avaliação e depois a gente retorna com esses animais para os donos", disse à AFP a veterinária Marina Souza, voluntária do Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD Brasil).
As chuvas, que começaram na noite de segunda-feira (23), devastaram os municípios mineiros de Juiz de Fora e Ubá. Ao menos 55 pessoas morreram em inundações e deslizamentos de terra e 13 estão desaparecidas.
Alferina Maria, uma dona de casa de 45 anos, não conseguiu levar Paquito consigo quando foi evacuada de Três Moinhos, um bairro humilde de Juiz de Fora afetado por dois deslizamentos de terra em três dias.
"A Defesa Civil prontamente veio aqui e avisou para o povo deixar a casa, não ficar preocupada com móveis nem nada, apenas um documento, uma coisa essencial para sair, por causa do perigo", contou.
"A gente fica preocupado com os animais também que ficaram em casa. Ele [Paquito] foi da minha mãe, minha mãe faleceu, e ficou na casa."
Alferina se reencontrou com seu cachorro nesta quinta-feira (26), graças ao Corpo de Bombeiros.
A veterinária Marina Souza trabalha sem descanso em Três Moinhos, onde resgatou cerca de 15 cães em apenas algumas horas nesta quinta-feira.
Seu resgate mais difícil? O do cãozinho Benny, em outro bairro atingido de Juiz de Fora. Seu dono, um menino de 11 anos, morreu na tragédia.
"Foi [...] um resgate muito difícil de fazer. E hoje a gente acabou de descobrir que [os bombeiros] acharam o corpo do dono do Benny, o menino de 11 anos, que estava soterrado", contou, com a voz embargada.
- 'Nossa família também tem penas e pelos' -
Gina Lourenço de Souza, outra moradora do bairro, desce por um beco íngreme e escorregadio, carregando duas gaiolas cheias de pássaros.
"Eu consegui tirar ontem a minha gatinha e as outras duas calopsitas. Na hora da queda do barranco eu não consegui resgatar estas [aves]. Agora eu vim buscá-las, buscar meus bebês", contou a mulher de 46 anos, sem fôlego e com lágrimas nos olhos.
"Minha filha, minha mãe, meu marido e eu já estamos em segurança". Mas "a nossa família também tem penas e pelos", acrescentou.
Os animais de estimação são uma questão particularmente importante no Brasil, onde cães e gatos superam em muito a população com menos de 14 anos de idade, enquanto a taxa de natalidade está em declínio.
L.Wyss--VB