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Irã e EUA relatam 'avanços' nas negociações para acabar com o conflito
Irã e Estados Unidos concordaram nesta segunda-feira (22) em estabelecer linhas de comunicação para manter o Estreito de Ormuz aberto e deter os combates no Líbano, após as primeiras conversações na Suíça para acabar com a guerra no Oriente Médio.
Os países mediadores, Paquistão e Catar, destacaram a "atmosfera positiva e construtiva" das deliberações iniciadas no domingo.
As equipes de negociação, lideradas pelo vice-presidente americano, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, iniciaram na Suíça um processo de dois meses que visa o fim do conflito.
As partes definiram "um mapa do caminho para alcançar um acordo final em 60 dias, estabelecendo as bases para o início imediato de novas conversações técnicas", afirma um comunicado divulgado pelos mediadores.
"Alcançamos avanços promissores, incluindo a criação de um mecanismo para futuras conversações técnicas", acrescenta a nota, que menciona um canal de contatos estabelecido para "evitar incidentes e falhas de comunicação" no Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o tráfego de petróleo e gás.
A delegação iraniana retornou nesta segunda-feira a Teerã, "após 18 horas de discussões intensas", informou a agência de notícias Irna.
Na capital do Irã, o porta-voz da diplomacia do país, Esmaeil Baqaei, declarou que durante as conversações na Suíça "ocorreu um diálogo muito breve sobre a questão nuclear", mas insistiu que não foram "negociações" sobre o tema.
Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Suíça anunciou em um comunicado que, após o "avanço construtivo" das negociações, estão criadas "as condições para a retomada imediata de novas discussões técnicas".
O Irã bloqueou o Estreito de Ormuz quando a guerra começou em 28 de fevereiro, com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra seu território.
Também foi criada uma célula de gestão do conflito no Líbano, onde Israel enfrenta o movimento pró-iraniano Hezbollah.
O Líbano foi arrastado para o conflito quando o Hezbollah atacou Israel em 2 de março como resposta à guerra no Irã.
Os ataques contínuos no Líbano ameaçaram as negociações, depois que o Irã citou a possibilidade de voltar a bloquear o Estreito de Ormuz.
"A incansável mediação paquistanesa e catari possibilitou grandes avanços para acabar com a guerra no Líbano", comentou no X o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, após o encontro na Suíça.
Equipes técnicas dos países prosseguirão com as conversações por mais alguns dias no país europeu.
- Teste real -
"As exportações de petróleo e petroquímicos ficam isentas, o bloqueio é suspenso, alguns ativos congelados são liberados e começa um importante plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã", acrescentou Araghchi ao comentar os acordos.
O diplomata acrescentou, no entanto, que o primeiro "teste real" será o fim do conflito no Líbano.
O clima positivo provocou uma nova queda no preço do petróleo. O barril de West Texas Intermediate, referência para o mercado dos Estados Unidos, recuava 0,5%, negociado a 75,47 dólares, enquanto o barril Brent do Mar do Norte, referência mundial, cedia 1,5%, a 79,38 dólares.
As negociações em um hotel de luxo na região montanhosa de Burgenstock começaram de maneira titubeante, quando a delegação iraniana se retirou em resposta à ameaça do presidente Donald Trump de atacar o Irã por seu apoio ao Hezbollah.
O Irã respondeu com uma nova ameaça.
"Seria melhor que medissem suas palavras. Nossas Forças Armadas estão preparadas para responder de outra maneira", advertiu Ghalibaf, coordenador da equipe de negociação iraniana.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reiterou no domingo que o Exército do país permanecerá no sul do Líbano pelo "tempo que for necessário".
Mas até a noite de domingo não foram relatados bombardeios israelenses ou combates.
Segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde libanês, as operações israelenses mataram 4.106 pessoas desde 2 de março. No mesmo período, o Exército israelense reportou a morte de 36 militares.
- Nova página -
JD Vance chamou o encontro de "histórico" e expressou a esperança de "virar a página e transformar nossa relação com o povo iraniano".
Acompanhado pelos negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner, Vance destacou que "a pergunta que enfrentamos é: quanto mais podemos conseguir juntos?".
"Podemos virar uma nova página? Podemos mudar permanentemente as relações no Oriente Médio? Ou voltamos a fazer as coisas à moda antiga, o que não é a nossa preferência", acrescentou.
Os temas difíceis, no entanto, permanecem na agenda, como a questão nuclear iraniana.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou no domingo que seu país não abrirá mão do direito de enriquecer urânio, mas insistiu que não deseja desenvolver armas nucleares.
K.Hofmann--VB