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Alta dos combustíveis provoca protestos em todo o mundo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não é o único a reclamar do aumento do preço do diesel: da França à Síria, passando por Guatemala e Bolívia, cresce em todo o mundo o descontentamento com a forte alta dos combustíveis.
Na Guatemala, dois policiais foram baleados na semana passada durante um confronto com manifestantes que protestavam contra o aumento do preço dos combustíveis. Já no sul da França, centenas de pescadores bloquearam durante vários dias depósitos de petróleo e afirmam que, embora tenham encerrado os bloqueios nesta quarta-feira (16), manterão "a pressão".
Ange Natoli, representante dos pescadores, declarou à AFP que pretende manter a mobilização até que sejam recebidos pela ministra da Pesca, Catherine Chabaud.
"Já não ganhamos dinheiro, já não conseguimos sobreviver; o preço do diesel subiu muitíssimo, dobrou em seis meses. Não podemos continuar assim", afirmou Brice Rousseau, um pescador que participou do bloqueio.
Nos Estados Unidos, o diesel atingiu na terça-feira um novo recorde de 6,27 dólares (32 reais) por galão (3,78 litros), como consequência da guerra no Oriente Médio e dos ataques ucranianos contra refinarias russas.
Na Síria, os protestos se multiplicam há vários dias.
Na cidade de Qamishli, de maioria curda, centenas de pessoas marcharam na terça-feira com cartazes que diziam "Não à política da fome!", "Não ao aumento dos preços dos combustíveis!" e "Protejam os meios de subsistência do povo!".
"Reivindicamos nossos direitos. Os preços do diesel devem voltar ao que eram, assim como os do pão (...) eles devem atender às reivindicações do povo", afirmou Jansa Nehmat, de 48 anos.
- Governo da Bolívia sob pressão -
Centenas de camponeses protestaram no início deste mês em Cochabamba, na Bolívia, contra um decreto que dobrou o preço do diesel para determinadas categorias.
O preço passou de 0,8 dólar (4,10 reais) para 1,5 dólar (7,70 reais) por litro de diesel para os consumidores que compram grandes quantidades, entre eles os produtores agrícolas.
Na Guatemala, há dois meses, sindicatos e associações de comerciantes reivindicam, com protestos e bloqueios de estradas, uma intervenção do Estado para reduzir os preços nos postos de combustíveis, que provocaram um aumento do custo dos produtos de primeira necessidade e do transporte.
O diesel passou de cerca de 3,4 dólares (17,50 reais) por galão em fevereiro para 5,7 dólares (29 reais) no fim de agosto e, no protesto da semana passada, os manifestantes incendiaram veículos e motocicletas, incluindo uma da polícia. Cerca de dez pessoas foram detidas.
- "Mobilização total" na França -
Nos Estados Unidos, todas as atenções estão voltadas para o Federal Reserve (Fed, banco central americano), que avalia elevar as taxas de juros, contrariando a posição do presidente.
Há várias semanas, aumentam as declarações de integrantes da Casa Branca que sugerem que uma alta dos juros seria "antipatriótica".
Em outras partes do mundo, políticos em campanha denunciam o aumento dos preços e suas consequências.
Na França, a sete meses das eleições presidenciais, o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon critica a decisão do Banco Central Europeu de elevar as taxas de juros na semana passada. "O BCE está nos levando contra um muro", escreveu na rede social X.
Até mesmo o presidente, Emmanuel Macron, pediu nesta quarta-feira ao governo uma "mobilização total" sobre o "abastecimento" e o "controle dos preços" dos combustíveis, segundo uma porta-voz.
T.Egger--VB