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México mobiliza 10 mil militares após violência por morte de chefe do narcotráfico
O México mobilizou cerca de 10 mil militares no oeste do país para garantir a segurança após a morte de seu maior chefe do narcotráfico em uma operação militar que deixou quase 60 mortos e desencadeou uma onda de violência.
O governo informou que os militares foram enviados a Jalisco, onde foi capturado no domingo Nemesio Oseguera, conhecido como "El Mencho" e líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), por quem Washington oferecia uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 77,44 milhões, na cotação atual).
Sua captura e morte provocaram uma resposta violenta do cartel, que bloqueou estradas, incendiou veículos, atacou postos de gasolina, comércios e bancos e enfrentou as autoridades em 20 estados mexicanos.
Pelo menos 27 agentes de segurança, 30 criminosos e uma cidadã morreram durante a operação e em confrontos posteriores, informou nesta segunda-feira (23) o secretário de Segurança, Omar García Harfuch.
O chefão do tráfico de drogas, de 59 anos, ficou ferido no confronto com militares no município de Tapalpa e morreu durante o traslado aéreo para a Cidade do México.
Seu cartel foi designado como organização terrorista estrangeira pelo governo dos Estados Unidos em fevereiro de 2025. A presidente Claudia Sheinbaum assegurou nesta segunda que já não há bloqueios nas estradas, embora a AFP tenha constatado que ainda restam alguns perto de Guadalajara e da região onde ocorreu a captura.
- Medo em Jalisco -
Em Guadalajara, capital do estado de Jalisco, as ruas estavam quase desertas e a maioria dos comércios permanecia fechada nesta segunda-feira devido ao medo da população.
“A situação está meio crítica, apenas alguns comércios abriram e estou aproveitando. Meus familiares hoje não saíram de casa”, disse à AFP Jorge Martínez, um aposentado de 70 anos que se aventurou a fazer compras em uma farmácia. Ele foi atendido pela janela.
Teresa Loza, de 51 anos, saiu de casa porque precisa cuidar de um sobrinho que está hospitalizado. “Hoje há mais movimento” na rua, “ontem definitivamente não havia movimento, estava muito vazio. No começo você sai com um pouco de medo”, contou essa analista de dados.
As escolas do estado de Jalisco suspenderam as aulas, assim como as de cerca de uma dezena de outros estados, como medida de precaução diante de possíveis atos violentos.
Guadalajara é a segunda cidade mais importante do México, com cerca de cinco milhões de habitantes na área metropolitana, e será sede de quatro partidas da Copa do Mundo de futebol de 2026.
- Proteger a população -
Sheinbaum afirmou em sua habitual coletiva de imprensa matutina que “praticamente toda a atividade foi restabelecida” no país. “Amanhecemos sem nenhum bloqueio”, detalhou.
Depois de destacar o “patriotismo” dos militares que executaram a operação, declarou que a prioridade de seu governo é “proteger toda a população”, assim como os comércios.
O país “está em paz, está em calma”, acrescentou a governante de esquerda, após as ações violentas de células do CJNG.
- A operação -
O secretário da Defesa Nacional, Ricardo Trevilla, detalhou que uma das parceiras românticas de Oseguera foi fundamental para localizar o chefe do cartel.
“Foi identificado um homem de confiança de uma das parceiras sentimentais de ‘El Mencho’ que a levou a uma instalação no povoado de Tapalpa”, explicou Trevilla. Ele disse que forças especiais do Exército cercaram Oseguera e foram recebidas com disparos de pistoleiros encarregados de sua segurança.
Em confrontos violentos posteriores ao primeiro embate, morreram uma mulher, 25 agentes da Guarda Nacional, um agente penitenciário e um funcionário do Ministério Público de Jalisco, assim como 30 criminosos, indicou o secretário de Segurança, Omar García Harfuch.
- Reação violenta -
A morte do líder de uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo gera dúvidas sobre quem o sucederá no comando desse cartel.
Gerardo Rodríguez, especialista em segurança nacional e acadêmico da Universidade das Américas em Puebla, disse à AFP que Oseguera “era onipresente” e “não tinha sucessores claros”.
“Sabemos que era um cartel muito cabeça-dura” e “onipresente”. “Não tinha sucessores claros, poderíamos ver um cenário tipo Colômbia”, onde “se criam facções criminosas locais”, explicou.
O secretário de Segurança assegurou que o governo federal se mantém em alerta diante de um possível “rearranjo” de células criminosas.
“Estamos muito atentos (...) a qualquer tipo de reação que haja ou de reestruturação dentro do cartel (...) Estamos preparados para isso”, afirmou.
L.Meier--VB