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ONU denuncia 'lei do mais forte' no mundo
O secretário-geral da ONU alertou nesta segunda-feira (23) que a "lei do mais forte" está se impondo no mundo, onde, segundo ele, os poderosos violam o direito internacional e usam a inteligência artificial para atacar os direitos humanos.
"Os direitos humanos estão sob um ataque em larga escala em todo o mundo", afirmou António Guterres na abertura da sessão anual do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.
"O Estado de direito está sendo esmagado pela lei do mais forte", acrescentou.
O secretário-geral da ONU ressaltou que "a ofensiva não surge das sombras, nem de surpresa. Acontece à vista de todos e, muitas vezes, sob a liderança dos mais poderosos".
Ele não mencionou situações específicas, mas expressou indignação com a guerra na Ucrânia, onde afirmou que mais de 15.000 civis morreram em quatro anos de conflito desde que a Rússia invadiu o país.
"Já passou da hora de acabar com o derramamento de sangue", disse.
Em seu discurso presencial diante do principal órgão de direitos humanos da ONU, Guterres afirmou que as áreas afetadas por conflitos não são os únicos lugares onde os direitos estão sendo corroídos.
"Em todo o mundo, os direitos humanos estão sendo deliberada, estrategicamente e, às vezes, com orgulho, restringidos", disse.
Ao mesmo tempo, "o caos climático acelera e a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, é utilizada cada vez mais de formas que reprimem direitos, aprofundam desigualdades e expõem as pessoas marginalizadas a novas formas de discriminação, tanto online quanto fora da internet", alertou.
Guterres, que deixará o cargo neste ano após uma década à frente da ONU, pediu uma ação urgente para reverter a tendência.
M.Vogt--VB