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Louvre reabre ao público três dias após roubo de joias
O Museu do Louvre, em Paris, reabriu as portas ao público nesta quarta-feira (22), três dias após o roubo espetacular de oito joias, avaliadas em mais de 100 milhões de dólares (538 milhões de reais), um incidente que provocou um novo debate sobre a segurança dos museus na França.
A polícia continua procurando os quatro criminosos que executaram o assalto no domingo, na Galeria de Apolo do museu, o mais visitado do mundo.
A operação, que durou apenas oito minutos, provocou a retomada do debate sobre as medidas de segurança da instituição, que no ano passado recebeu nove milhões de visitantes, 80% deles estrangeiros.
O presidente da França, Emmanuel Macron, ordenou nesta quarta-feira medidas para "acelerar" o reforço da segurança.
Macron "indicou que medidas de segurança no Louvre estavam sendo implementadas" e solicitou uma aceleração, explicou Maud Bergeon, porta-voz do governo.
O crime aconteceu na manhã de domingo, logo após a abertura do museu, quando quatro criminosos estacionaram um caminhão com uma escada mecânica sob a varanda de uma das fachadas do Louvre. Dois ladrões subiram até o primeiro andar do museu e, com uma serra circular, entraram na sala através de uma janela.
Os ladrões roubaram nove joias, incluindo uma tiara de pérolas da imperatriz Eugênia e um conjunto de colar e brincos de safiras da rainha Maria Amélia. Durante a fuga, uma das peças, uma coroa, foi abandonada.
- "Uma suposta mudança" -
A investigação "avança", afirmou à imprensa o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Ele disse que "mais de 100 investigadores" estão mobilizados.
Os detalhes do roubo espetacular são revelados com o avanço das investigações.
Os criminosos conseguiram o veículo com a plataforma elevatória por meio de "um pseudoaluguel para uma suposta mudança", segundo a promotora de Paris, Laure Beccuau.
"Quando um dos funcionários da empresa compareceu ao local da mudança, encontrou dois homens ameaçadores", mas não foram violentos, acrescentou.
A promotora também explicou que a direção do Louvre avaliou os danos em 88 milhões de euros (102 milhões de dólares, quase 550 milhões de reais), uma quantia "extremamente impressionante", mas que "não é de forma alguma paralela ou comparável aos danos históricos".
Beccuau advertiu que os ladrões "não ganharão" esta quantia "se tiverem a péssima ideia de fundir essas joias".
- Vitrines seguras -
A direção do Louvre defendeu a qualidade das vitrines onde estavam as joias roubadas, em resposta a um artigo publicado por um jornal satírico francês que afirmava que eram "aparentemente mais frágeis que as antigas".
Segundo a instituição, "as vitrines instaladas em dezembro de 2019 representaram um avanço considerável em termos de segurança, pois o grau de obsolescência dos equipamentos antigos era evidente".
Nesta quarta-feira, muitos aguardavam ansiosos para entrar no museu. Às 9h00 locais (4h00 de Brasília), horário habitual de abertura do museu, os primeiros visitantes começaram a entrar na instituição.
"Estávamos muito ansiosas. Nós reservamos para hoje, não teríamos outra oportunidade de voltar", disse Fanny, que viajou com a filha de Montpellier, no sul da França.
A Galeria de Apolo, no entanto, permanecia fechada, com três painéis cinzas bloqueando a vista.
A presidente do Louvre, Laurence des Cars, comparecerá nesta quarta-feira à Comissão de Cultura do Senado para tentar explicar como o roubo foi possível.
Des Cars, que em 2021 se tornou a primeira mulher a comandar o Louvre, não se pronunciou publicamente desde o incidente.
A ministra da Cultura, Rachida Dati, descartou qualquer "falha de segurança interna" no museu porque os dispositivos "funcionaram". Ela questionou, em contrapartida, a falta de segurança "na via pública", o que permitiu aos ladrões estacionar um caminhão com escada mecânica.
Em um relatório preliminar consultado pela AFP, o Tribunal de Contas da França lamenta "o atraso na instalação de equipamentos destinados a garantir a proteção das obras" do museu. O problema de segurança, no entanto, "não é novo" e era conhecido pela administração, afirmou nesta quarta-feira o presidente do tribunal, Pierre Moscovici.
D.Bachmann--VB