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Macron pede à Europa que 'aumente pressão' sobre frota fantasma russa
O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu nesta quinta-feira (2) que a Europa "aumente a pressão" contra a chamada frota fantasma russa, após Paris apreender um petroleiro que Moscou utilizaria para evitar as sanções ocidentais.
No sábado, a França apreendeu o navio-petroleiro Boracay, com bandeira do Benin, que também esteve ancorado em frente à costa da Dinamarca no mês passado durante os misteriosos voos de drones, que as autoridades atribuíram à Rússia.
"É muito importante aumentar a pressão sobre essa frota fantasma, porque claramente reduzirá a capacidade [da Rússia para] financiar este esforço de guerra" na Ucrânia, disse Macron, antes de uma cúpula europeia em Copenhague.
O chefe de Estado francês justificou que, com a interceptação desses petroleiros envelhecidos, se destrói "o modelo de negócio ao deter estes navios, inclusive durante dias ou semanas, obrigando-os a se reorganizarem de forma diferente".
Na noite desta quinta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, classificou a interceptação de "pirataria".
"É pirataria. Pois [...] o petroleiro foi abordado em águas neutras, sem nenhum fundamento. Visivelmente, estavam procurando algo, material militar, drones ou coisas assim. Mas não há nada disso ali", comentou Putin durante um fórum de debate em Sochi, no sudoeste da Rússia.
A União Europeia já tinha incluído esse petroleiro em sua lista proibida por ser parte da "frota fantasma" que a Rússia utiliza para evitar as sanções ocidentais contra suas vendas de petróleo. No total, o bloco contabiliza cerca de 444 embarcações.
Além da apreensão da embarcação também conhecida como Pushpa ou Kiwala, as autoridades francesas detiveram o comandante e seu número dois, ambos de nacionalidade chinesa, três dias depois.
A Justiça abriu uma investigação e denunciou o comandante, que será julgado em 23 de fevereiro por "recusa a obedecer", conforme detalhou nesta quinta em comunicado.
O Ministério Público não informou se o acusado vai esperar o julgamento em liberdade nem se a embarcação, atualmente estacionada em frente ao porto de Saint-Nazaire, poderá continuar sua viagem para a Índia.
A investigação na França não abordou o possível envolvimento do navio no sobrevoo de drones na Dinamarca. Na quarta-feira, Macron pediu prudência em relação a esse caso.
Segundo o site especializado The Maritime Executive, o navio estaria envolvido nesses misteriosos voos que interromperam o tráfego aéreo na Dinamarca em setembro.
A publicação reportou que o petroleiro e outras embarcações podem ter sido utilizadas como plataformas de lançamento ou como iscas.
A Dinamarca atribuiu essa ação à Rússia, depois de acusações similares após o sobrevoo de cerca de 20 drones na Polônia e de três aviões de combate na Estônia.
burs-ub-tjc/mb/jvb/sag/jc/rpr/am
A.Ruegg--VB