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Festival de Cannes começa sob lema do cinema como 'ato de resistência'
O Festival de Cannes começou, nesta terça-feira (12), lembrando que o cinema é "um ato de resistência", em uma edição que promete muito glamour e uma disputa pela Palma de Ouro com forte presença do audiovisual espanhol.
Na cerimônia de abertura, a atriz americana Jane Fonda e sua colega chinesa Gong Li declararam aberta oficialmente esta 79ª edição, onde estrelas como Javier Bardem, Cate Blanchett e Michael Fassbender vão brilhar no tapete vermelho.
"O cinema sempre foi um ato de resistência porque contamos histórias", disse Fonda. "Histórias que aportam empatia aos marginalizados, histórias que nos permitem sentir além das diferenças, histórias que nos deixam ver que é possível um futuro alternativo", acrescentou a atriz, uma ativista veterana.
"Acredito no poder das vozes, nas vozes da tela, nas vozes fora da tela e, sobretudo, nas vozes na rua, especialmente agora", acrescentou a atriz, uma crítica ferrenha do presidente americano, Donald Trump.
Momentos antes, o cineasta neozelandês Peter Jackson, conhecido pela trilogia "O Senhor dos Anéis", recebeu uma Palma de Ouro honorária das mãos do ator Elijah Wood, que deu vida ao "hobbit" Frodo Bolseiro.
Após receber o prêmio e ser ovacionado por minutos, Jackson, ganhador de vários Oscars, agradeceu por esta "surpresa inesperada, milagrosa".
"Nunca imaginei que ganharia uma Palma de Ouro", disse. "Não sou exatamente um cara de Palma de Ouro", brincou.
- Veteranos e novatos -
Nesta edição, 22 filmes vão disputar o prêmio máximo, dos quais apenas cinco foram dirigidos por mulheres.
Entre os aspirantes a suceder o vencedor no ano passado, "Foi Apenas um Acidente", do iraniano Jafar Panahi, destacam-se diretores assíduos nesta lista seleta, como o russo Andrey Zvyagintsev ("Leviatã") e o também iraniano Asghar Farhadi ("A Separação"), várias vezes contemplados. Para dois deles, o japonês Hirokazu Kore eda ("Assunto de Família") e o romeno Cristian Mungiu ("4 Meses, 3 Semanas, 2 Dias"), seria sua segunda Palma de Ouro.
Dezenas de cineastas também vão competir pela primeira vez em uma mostra que frequentemente é criticada por ter seu círculo de favoritos.
Com "Natal Amargo", o espanhol Pedro Almodóvar aspira pela sétima vez a se consagrar na Croisette. Embora a mostra tenha premiado seus filmes em várias ocasiões, com prêmios de interpretação ou roteiro, a Palma de Ouro resiste.
Outros dois filmes espanhóis são candidatos ao principal prêmio: "El Ser Querido", de Rodrigo Sorogoyen, com Bardem interpretando um cineasta famoso que oferece um papel à filha atriz, e "La Bola Negra", de Javier Ambrossi e Javier Calvo, sobre três homens homossexuais em três épocas diferentes e cujo elenco inclui Penélope Cruz e Glenn Close.
Esta forte presença ibérica na disputa é inédita para a indústria cinematográfica espanhola na história recente do festival.
"A Espanha tem mostrado há alguns anos um novo dinamismo", disse o delegado geral do festival, Thierry Frémaux.
- Arte e política -
A atualidade geopolítica também vai acabar aparecendo no festival, embora às vezes a mostra seja criticada por não se posicionar suficientemente frente a crises ou conflitos.
Há alguns meses, o Festival de Berlim se viu imerso precisamente em uma forte polêmica sobre sua dimensão política e sua suposta indiferença frente à guerra em Gaza.
O júri desta edição, muito diverso e presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan wook, foi confrontado na terça-feira com perguntas sobre o dilema entre cinema e política, como ocorreu em fevereiro durante a mostra alemã.
"Não acho que devamos separar a arte da política, é um conceito estranho querer opor as duas coisas", disse Park Chan-wook durante a entrevista coletiva do júri. "Simplesmente porque uma obra traz uma mensagem política, ela não deveria ser considerada inimiga da arte", acrescentou.
Outro membro do júri, o roteirista britânico Paul Laverty, colaborador habitual do cineasta Ken Loach e conhecido por suas posições de esquerda, aproveitou a entrevista coletiva para ser muito mais crítico.
"Vemos tanta violência sistemática, o genocídio em Gaza e todos esses conflitos horríveis", declarou, acusando Hollywood de boicotar Susan Sarandon, Javier Bardem ou Mark Ruffalo por denunciarem "o assassinato de mulheres e crianças em Gaza". "Vergonha para Hollywood", ressaltou.
B.Wyler--VB