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COP30: as principais reações ao acordo climático
Quase 200 países chegaram neste sábado a um acordo modesto na conferência climática COP30, em Belém. Alguns deles consideraram o documento aceitável, em meio a negociações tensas e à ausência dos Estados Unidos. Outros acharam o compromisso insuficiente.
Segue abaixo um resumo das principais reações:
- Lula -
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que apostou no sucesso do que chamou de "COP da verdade", aplaudiu o que considerou uma vitória do multilateralismo nas negociações.
"Mobilizamos a sociedade civil, a academia, o setor privado, os povos indígenas e os movimentos sociais, para fazer dessa a COP com a segunda maior participação da História", declarou o presidente brasileiro.
- Europa -
"Não vamos esconder que preferiríamos ter mais, mais ambição em tudo", disse o comissário da União Europeia (UE) para o Clima, Wopke Hoekstra, embora tenha considerado o acordo um passo "na direção correta".
A ministra francesa da Transição Ecológica, Monique Barbut, foi mais crítica: "Não posso dizer que esta COP tenha sido um sucesso." Embora "este acordo não eleve nosso nível geral de ambição, tampouco altera o impulso anterior", ressaltou.
O secretário de Energia britânico, Ed Miliband, disse à AFP: "Assim é este processo da COP. Se você olhar ao longo da História, gerou mudanças. Cada COP tem suas frustrações."
- Colômbia -
O presidente colombiano, Gustavo Petro, criticou duramente a falta de um plano para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, e disse que seu país "não aceita" que a declaração "não diga claramente, como faz a ciência, que a causa da crise climática são os combustíveis fósseis".
- Brasil, Índia, África do Sul, China -
A Índia elogiou o acordo, que considerou "significativo". “Apoiamos plenamente a presidência da COP30 e reconhecemos os esforços extraordinários da equipe presidencial, que incluíram muitas noites em claro trabalhando para garantir que levemos algo significativo de Belém”, disse um representante indiano, em nome do grupo Basic (Brasil, África do Sul, Índia e China).
A China expressou satisfação com o resultado. Seu vice-ministro de Ecologia e Meio Ambiente, Li Gao, disse à AFP que a COP30 seria lembrada como "um sucesso em uma situação muito difícil”.
- Países menos desenvolvidos -
Evans Njewa, que representou um grupo de 44 países menos desenvolvidos, destacou: “Não vencemos em todas as frentes, mas conseguimos triplicar o financiamento para a adaptação até 2035”.
“Obrigado por apoiar 1,6 bilhão de pessoas vulneráveis”, disse Njewa. “Essa era a nossa prioridade, e a tornamos uma linha vermelha.”
A Aliança dos Pequenos Estados Insulares considerou o acordo “imperfeito”, mas, ainda assim, um passo para "o progresso".
- Guterres -
O secretário-geral da ONU, António Guterres, elogiou as semanas de esforços, mas disse entender que muitos poderão ficar decepcionados com os resultados, incluindo os povos indígenas, os jovens e aqueles que sofrem agora os piores impactos das mudanças climáticas.
“Não posso fingir que a COP30 conseguiu tudo o que era necessário. A lacuna entre a nossa situação atual e o que a ciência exige continua perigosamente grande. Continuarei promovendo mais ambição e solidariedade", acrescentou o secretário.
- ONGs -
As conversas também foram acompanhadas por ONGs que atuam no setor climático. O diretor do Instituto de Recursos Mundiais, Ani Dasgupta, elogiou a COP30 por fazer “avanços para triplicar o financiamento para a adaptação, proteger as florestas do mundo e dar voz aos povos indígenas como nunca antes".
As negociações formais, no entanto, foram insuficientes em muitos aspectos, apontou Dasgupta, principalmente devido à falta de um plano para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, o que resultou em um acordo “enfraquecido”, segundo ele.
O diretor para a América Latina e o Caribe da organização 350.org, Ilan Zugman, destacou que “a falta de compromissos concretos no texto final da COP30 nos mostra quem continua se beneficiando com o atraso: a indústria dos combustíveis fósseis e os ultrarricos, e não aqueles que vivem a crise climática diariamente”.
L.Maurer--VB