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Pentágono assina acordo de IA com grandes empresas tecnológicas sem Anthropic
O Pentágono anunciou, nesta sexta-feira (1º), acordos com sete empresas líderes em inteligência artificial para implementar sua tecnologia em sistemas militares confidenciais, um contrato do qual foi excluída a Anthropic, companhia que teve enfrentamentos com o Departamento de Defesa.
Segundo um comunicado do governo americano, SpaceX, OpenAI, Google, Nvidia, Reflection, Microsoft e Amazon Web Services vão se integrar aos sistemas confidenciais mais sensíveis do Departamento de Defesa, usados para o planejamento de missões, a orientação de armas e outras finalidades.
O anúncio não inclui a Anthropic, empresa que está imersa em uma disputa com o Pentágono, devido à sua exigência de estabelecer salvaguardas em relação à forma como o exército usa suas ferramentas de IA.
No começo deste ano, o Pentágono qualificou a startup de IA como um risco para a cadeia de abastecimento, proibindo seu uso por parte do exército e seus contratados.
O modelo de IA da Anthropic, Claude, era o único autorizado para uso em operações confidenciais pelo exército, que ainda segue utilizando-o.
Na semana passada, o presidente americano, Donald Trump, declarou que seu governo poderia se entender com a Anthropic "à perfeição", depois que o diretor-executivo da empresa, Dario Amodei, visitou a Casa Branca para manter conversas que um porta-voz qualificou como "produtivas e construtivas".
"Aprendemos (...) que é irresponsável depender de um único sócio", declarou à CNBC Emil Michael, diretor de tecnologia de fato do Pentágono.
- Força de combate à base de IA -
O anúncio desta sexta-feira apresentou os acordos com os concorrentes da Anthropic como um elemento central da iniciativa do Executivo para construir o que denominou de uma "força de combate com prioridade na IA".
Estas integrações "agilizariam a síntese de dados, melhorariam a compreensão situacional e potencializariam a tomada de decisões dos combatentes", afirmou o comunicado.
O Pentágono destacou que sua plataforma, GenAI.mil — descrita como seu sistema oficial de IA — já tinha sido usada por mais de 1,3 milhão de membros do departamento, gerando dezenas de milhões de instruções ("prompts") e mobilizando centenas de milhares de agentes em um prazo de cinco meses.
Michael afirmou que os acordos incluem uma combinação de modelos de código fechado e aberto. Uma fonte familiarizada com o tema disse à AFP que estes últimos seriam fornecidos pela Nvidia e pela empresa de inteligência artificial Reflection.
Os modelos de código aberto - que podem ser executados sem pagar tarifas de licenças contínuas ou exigir acesso por parte do provedor - oferecem ao Pentágono uma flexibilidade operacional maior e reduzem a dependência de um único provedor comercial.
- Protestos -
Na última segunda-feira, mais de 600 funcionários da Google exigiram que a empresa rejeitasse o acordo com o Pentágono.
Em 2018, um movimento interno de empregados conseguiu pressionar a Google para que abandonasse o projeto Maven, um programa do Pentágono destinado a integrar a inteligência artificial nas operações com drones.
Nos últimos anos, a companhia empreendeu uma mudança estratégica, reconstruindo gradativamente sua divisão de negócios militares e competindo com suas concorrentes pela concessão de contratos de defesa.
Atualmente, o Projeto Maven é dirigido pela empresa de IA Palantir e evoluiu até se tornar um sistema de gestão do campo de batalha e de seleção de alvos assistida por inteligência artificial, o que acelerou drasticamente a "cadeia de eliminação", um processo que abrange da detecção de um alvo até sua destruição.
Um porta-voz da AWS declarou que a empresa está comprometida em apoiar as Forças Armadas e espera poder apoiar o Departamento de Defesa a se modernizar mediante a IA. As outras empresas não responderam de imediato aos pedidos de comentários.
T.Egger--VB