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Do campo de areia para a Copa do Mundo: a trajetória de sucesso do artilheiro colombiano Luis Suárez
Nos campos de areia do Caribe, os mesmos que moldaram vários dos maiores artilheiros do futebol colombiano, Luis Suárez se destacou desde muito jovem devido à sua potência física, muito antes de se tornar uma referência do ataque de sua seleção para a Copa do Mundo de 2026.
Em terrenos acidentados e sob o sol escaldante, crianças treinam em Santa Marta, a terra natal de um dos principais artilheiros do futebol europeu, que agora se prepara para fazer sua estreia em Copas do Mundo aos 28 anos de idade.
Elas treinam com o mesmo objetivo que o atacante do Sporting de Lisboa tinha em mente na juventude: superar os obstáculos em meio a dificuldades econômicas.
Quando menino, seu talento lhe rendeu uma bolsa de estudos em uma das melhores escolas da cidade, um feito alcançado apesar de seu pai, um paramédico de ambulância, e sua mãe, uma trabalhadora de serviços de limpeza, não disporem dos meios financeiros para custear as mensalidades.
Hoje, calçando chuteiras desgastadas, essas crianças perseguem exatamente o mesmo sonho do ex-jogador do Versalles Fútbol Club, a escolinha onde ele foi revelado.
Luis tinha uma "fome de vencer na vida", lembra seu pai, Javier Suárez, de 49 anos, em entrevista à AFP.
"Se não fosse pelo futebol, [Luis] não sabe o que teria feito. Seu primeiro amor sempre foi o futebol", conta ele, com lágrimas de saudades, enquanto exibe as camisas que seu filho já vestiu.
Suárez é a principal arma ofensiva, ao lado de Luis Díaz e James Rodríguez, da seleção comandada pelo técnico argentino Néstor Lorenzo, na preparação para a Copa do Mundo.
Os colombianos vão enfrentar o Uzbequistão, a República Democrática do Congo e Portugal na fase de grupos. Eles chegarão à América do Norte com preocupações em relação à falta de minutos e de ritmo no Minnesota United de James, sua figura-chave e capitão.
- "Picardia" das ruas -
Valmiro Viana, gerente do Versalles, está convencido de que as condições dos campos onde seu pupilo jogava moldaram sua destreza como artilheiro.
"Há uma certa picardia única da nossa região que é diferente das demais, que vem do jogo nas ruas", diz ele, referindo-se ao jogador "que aprende o jogo superando obstáculos". Ao fundo, seus atuais alunos treinam em um campo pelo qual transitam constantemente carros e motos.
Desde sua chegada a Lisboa, em julho, Suárez marcou 34 gols. Seja de cabeça, de pênalti, com o pé esquerdo ou com o direito, ele é uma sensação em Portugal.
Apenas Harry Kane (33), do Bayern de Munique, marcou mais gols considerando as cinco principais ligas da Europa. Kylian Mbappé, do Real Madrid, e Erling Haaland, do Manchester City, somam 24 gols cada, um a menos do que o atacante colombiano.
Esta será a terceira Copa do Mundo consecutiva em que a Colômbia participa com um centroavante oriundo da região do Caribe.
Em 2014, foi Teófilo Gutiérrez e em 2018, Radamel Falcao García, nascido em Santa Marta, embora tenha crescido longe da cidade antes de se tornar o maior artilheiro da história da seleção colombiana, com 36 gols.
Depois que 'El Tigre' deixou de ser convocado, vários atacantes surgiram como candidatos para substituí-lo na seleção mas nenhum conseguiu realmente se firmar na posição. Agora, Suárez também carrega o peso de ter que corresponder a esse padrão.
Suárez deixou o clube onde foi revelado ainda adolescente para iniciar uma breve passagem pelo Itagüí Leones, perto de Medellín. Rapidamente, deu o salto para a Espanha, onde atuou por clubes como Granada, Zaragoza e Almería, além de ter tido uma curta passagem pelo francês Olympique de Marselha.
Graças a ele, as crianças da região "viram que é realmente possível", diz seu pai. Alejandro, seu irmão mais novo de 13 anos, também joga no Versalles e veste a camisa número 9.
- Com seu avô -
Em seu país natal, e até mesmo em sua própria cidade, Suárez só começou a ser amplamente reconhecido em setembro passado, quando marcou quatro gols contra a Venezuela durante a rodada final das Eliminatórias Sul-Americanas.
Esse feito havia sido alcançado anteriormente por apenas outros cinco jogadores, incluindo os astros brasileiros Zico e Romário, e seu homônimo uruguaio, Luis Suárez.
Antes disso, ele costumava caminhar tranquilamente por Santa Marta, conhecida como a 'Pérola do Caribe', sem ser reconhecido. Viana recorda que, antes de atingir seu atual nível de fama, ele se presenteava com partidas de bilhar ao lado de seu avô, o mesmo homem que costumava acompanhá-lo aos treinos de bicicleta quando ele era criança.
O atual técnico do Versalles é Óscar Vides, que cresceu ao lado de Suárez na escola. Um jogava como atacante, o outro, como zagueiro. Apenas o artilheiro conseguiu realizar o sonho de se tornar um jogador de futebol profissional.
"Alguns de nós ficaram pelo caminho", diz o técnico de 30 anos. Mas, acrescenta ele, "dá uma alegria" ver o sucesso de um jogador que surgiu de "um campinho de areia exatamente como este".
T.Ziegler--VB