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Argentina retira delegação da COP29 por ordem de seu novo chanceler
O presidente argentino, Javier Milei, cético em relação ao aquecimento global, retirou a delegação do seu país da conferência da ONU sobre a mudança climática (COP29) em Baku, como parte da estratégia promovida pelo seu novo ministro das Relações Exteriores, Gerardo Werthein, segundo fontes oficiais.
A saída abrupta da delegação técnica argentina na quarta-feira "permite ao novo chanceler reavaliar a situação, refletir sobre a posição e, neste caso, faz parte das medidas que o chanceler começa a tomar em sua nova função", disse na quinta-feira o porta-voz presidencial, Manuel Adorni.
Werthein assumiu o cargo em 5 de novembro, depois que Milei demitiu sua antecessora, Diana Mondino, por votar na ONU contra o embargo dos Estados Unidos a Cuba, algo que a Argentina fazia historicamente, mas que entra em conflito com a ideologia ultraliberal do presidente.
O governo lançou então uma auditoria para "identificar os impulsionadores de agendas inimigas da liberdade" na Chancelaria, o que foi descrito pelos seus rivais como uma "expurga" ideológica.
Alinhado politicamente ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e virtualmente próximo do magnata Elon Musk, Milei empreende um forte ajuste fiscal há quase um ano desde sua posse. O corte inclui a redução do Ministério do Meio Ambiente a uma secretaria dependente de outra pasta e a eliminação de um fundo para a proteção das florestas.
A Argentina foi durante décadas uma das principais vozes latino-americanas sobre a mudança climática, mas nesta quinta-feira reinou o secretismo sobre a saída da sua delegação.
"Esta é uma questão bilateral entre a Argentina e a ONU e não vamos comentar sobre ela", disse nesta quinta-feira o negociador-chefe do Azerbaijão na COP29, Yalchyn Rafiev.
No seu discurso na Assembleia da ONU em Nova York, em setembro, Milei denunciou a "agenda ideológica" do organismo e acusou-o de ser governado por "burocratas internacionais".
- Delegação reduzida -
O objetivo da delegação argentina era participar de cursos técnicos "sobre como realizar relatórios e apresentações (...), em cumprimento aos compromissos internacionais que a Argentina assumiu", disse à AFP uma fonte do governo argentino em Buenos Aires.
No entanto, nesta quinta-feira os dirigentes já não se encontravam na sede da COP29, localizada no estádio olímpico de Baku, disseram fontes locais sob condição de anonimato.
Os países que fazem parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) devem fornecer relatórios regularmente ao secretariado da UNFCCC.
Entre as próximas medidas que a Argentina deve tomar está um relatório bienal de transparência, previsto para o final deste ano.
Buenos Aires também deve entregar, como os quase 200 países que assinaram o Acordo de Paris, sua nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para combater a mudança climática. Esses novos compromissos devem ser finalizados até fevereiro de 2025.
“A saída da delegação argentina da conferência climática em Baku não tem precedentes na história diplomática do país e marca um claro contraste com a política externa de Buenos Aires de se envolver produtivamente em negociações internacionais”, reagiu Oscar Soria, ativista ambiental argentino e diretor da Iniciativa Comum.
O objetivo da 29ª conferência sobre mudança climática é chegar a um acordo entre quase 200 países para atualizar o montante dos fluxos de ajuda à mudança climática entre os países avançados e os países em desenvolvimento.
O valor atual é da ordem de 100 bilhões de dólares (R$ 579 bilhões), e a meta dos países pobres e emergentes é multiplicá-lo por dez, embora se espere que as negociações sejam difíceis em Baku.
B.Wyler--VB