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Filho da princesa herdeira da Noruega é julgado por acusações de estupro
A Justiça da Noruega começou nesta terça-feira (3) o julgamento por estupros e maus-tratos contra Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, um caso que abala a imagem da realeza no país escandinavo.
A princesa herdeira, 52 anos, também teve o nome envolvido em um grande escândalo por seus vínculos passados com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
Nascido de uma relação anterior ao casamento de sua mãe com o príncipe herdeiro Haakon, Høiby enfrenta 38 acusações, incluindo o estupro de quatro mulheres, violência física e psicológica, além de infringir a legislação de entorpecentes.
No primeiro dia do julgamento em Oslo, Høiby negou as acusações de estupro. Contudo, o réu admitiu, total ou parcialmente, algumas acusações.
Ele pode ser condenado a uma pena total de 16 anos de prisão.
O jovem, de 29 anos, foi detido no domingo por novas suspeitas: atentado contra a integridade física, ameaças com uso de faca e violação da proibição de contato com uma pessoa.
Høiby foi colocado em detenção preventiva por quatro semanas a pedido da polícia, "devido ao risco de reincidência".
A manhã do primeiro dia de julgamento foi marcada pela leitura da acusação. Durante a tarde, a primeira suposta vítima de estupro deve prestar depoimento.
Antes do início do julgamento, o promotor Sturla Henriksbø afirmou à AFP que Høiby não seria tratado "nem com mais indulgência, nem com maior severidade" por seus vínculos com a família real. A defesa não fez declarações à imprensa.
Høiby foi detido em 4 de agosto de 2024 por suspeita de agredir sua parceira na noite anterior.
Alguns dias depois, ele afirmou que agiu "sob a influência de álcool e cocaína após uma discussão", disse que sofre de "transtornos mentais" e que luta "há muito tempo contra a dependência" das drogas.
A investigação policial encontrou indícios de outros crimes, incluindo o suposto estupro de quatro mulheres quando não estavam em condições de se defender e que o réu, em alguns casos, filmou.
Em janeiro, a polícia anunciou seis novas acusações, entre elas uma por infringir a lei de entorpecentes ao transportar 3,5 quilos de maconha em 2020, fato que Høiby admitiu.
- Chutes e socos -
Sete pessoas são consideradas supostas vítimas do filho de Mette-Marit.
As identidades das pessoas permanecem sob proteção, com exceção de Nora Haukland, modelo e influenciadora, que falou publicamente sobre a violência que diz ter sofrido.
Entre 2022 e 2023, período em que estavam em um relacionamento, Høiby a agrediu no rosto diversas vezes com chutes e socos, agarrou pelo pescoço, empurrou a vítima e a insultou, segundo a acusação.
Este é o maior escândalo vivenciado pela família real norueguesa. O caso implodiu a imagem da instituição, apesar da popularidade do rei Harald V e da rainha Sonja, ambos com 88 anos.
Além do julgamento, outro caso abala a imagem da família: a aparição em pelo menos 1.000 ocasiões do nome de Mette-Marit nos arquivos publicados nos Estados Unidos sobre Jeffrey Epstein.
As mensagens entre os dois foram trocadas entre 2011 e 2014, quando ela já estava casada com o futuro rei da Noruega. Na época, Epstein já havia sido condenado em 2008 a pouco mais de um ano de prisão por prostituição de menores de idade.
"Demonstrei falta de critério e lamento profundamente ter mantido contato com Epstein. É simplesmente vergonhoso", declarou a princesa herdeira em um comunicado enviado à AFP pelo Palácio Real da Noruega.
Nas ruas de Oslo, as opiniões estão divididas quanto ao caso de seu filho.
Philip Wilson, segurança e estudante de 35 anos, disse que o Palácio Real administrou muito mal a situação. "Acho que as equipes de comunicação do palácio terão muito trabalho nos próximos dias", disse à AFP.
Jostein Grosås, advogado de 66 anos, afirmou que o caso "não mudou em nada" a opinião dele sobre a família real.
O veredicto contra Høiby deverá ser anunciado algumas semanas após o fim do julgamento, previsto para 19 de março.
L.Meier--VB