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Fechamento de bloco petroleiro em reserva na Amazônia equatoriana levará 5 anos
O fechamento de um importante bloco petroleiro em uma reserva na Amazônia equatoriana, decidido em uma consulta popular que estabeleceu prazo até agosto, levará pelo menos cinco anos, informou, nesta quarta-feira (21), o ministro da Energia, Antonio Goncalves.
A suspensão das atividades para deixar no subsolo o petróleo no bloco 43, no parque Yasuní (leste), que integra a reserva mundial da biosfera, levará "cinco anos e cinco meses", disse o funcionário ao canal Teleamazonas.
"Já vamos começar fechando alguns poços. Não houve investimento em ITT (campos Ishpingo, Tambococha e Tiputini)" desde a consulta popular de 20 de agosto de 2023, acrescentou.
Cinquenta e nove por cento dos eleitores equatorianos decidiram nas urnas deixar o petróleo do bloco 43 ou ITT debaixo da terra por prazo indeterminado.
O mandato estabeleceu a retirada progressiva e ordenada de toda a atividade relacionada com a extração nesta área em um ano, o que o governo não cumpriu e, ao contrário, seguiu extraindo mais de 50.000 barris por dia.
Goncalves ressaltou que um comitê governamental, criado pelo presidente Daniel Noboa, no cargo há nove meses, preparou um plano de retirada, que "é o mais rápido e que, ao mesmo tempo, assegura mitigar ao máximo qualquer risco ambiental, jurídico, financeiro, social que isto, que é inédito, possa causar".
"Nunca, em nenhum país, isto foi feito. Não existe um guia para poder fazê-lo, não há regulamentos, não temos realmente um exemplo a seguir", afirmou.
Ocupando apenas 0,08% do um milhão de hectares do parque amazônico protegido, o bloco 43, a cargo da estatal Petroecuador, é o principal de todos os que produzem dentro do Yasuní, onde vivem vários povos originários, alguns em isolamento voluntário.
"Temos que fazê-lo de uma forma pragmática, segura, sem ter nenhum tipo de impacto ambiental e social", acrescentou.
Na terça-feira, em Quito, cerca de 50 indígenas waorani, que vivem no Yasuní, e ambientalistas protestaram em frente à sede do Ministério da Energia pedindo que se cumpra o fechamento do ITT, conforme o estabelecido pela consulta popular. Especialistas independentes em direitos humanos da ONU e ONGs se somaram à reivindicação.
O Executivo informou, no mesmo dia, que para Noboa "seu compromisso de honrar esta decisão se mantém firme".
No ano passado, o Equador estimou perdas de 16,47 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 80 bilhões, em cotação da época) em duas décadas com o fechamento do bloco 43.
C.Koch--VB