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Arqueólogos encontram restos de mulher da primeira civilização das Américas
Arqueólogos anunciaram nesta quinta-feira a descoberta dos restos de uma mulher que viveu há cerca de 5.000 anos e que teria pertencido à elite da civilização Caral, uma das mais antigas do mundo, estabelecida no norte do Peru.
A descoberta é de particular interesse dos cientistas, porque mostraria que as mulheres tiveram um papel de destaque na cultura Caral, explicou David Palomino, diretor da equipe de pesquisadores responsável pela descoberta.
A múmia foi localizada em dezembro, em Aspero, um sítio sagrado dentro da cidade de Caral que serviu como depósito de lixo por mais de 30 anos, até ser declarado um sítio arqueológico, na década de 1990.
Palomino exibiu um vídeo e fotografias dos restos bem-preservados da mulher. "O que foi mostrado corresponde a uma mulher que, aparentemente, possuía um status elevado. Uma mulher da elite", disse o cientista à AFP, após a apresentação em Lima.
Palomino ressaltou que os restos continham "pele, parte das unhas e cabelo". Eles foram encontrados na Huaca dos ídolos, como parte da exploração realizada desde 1996 por arqueólogos liderados pela peruana Ruth Shady.
Análises bioantropológicas preliminares indicam que os restos recuperados correspondem a uma mulher de entre 20 e 35 anos, de 1,5 m de altura, e que usava um adorno na cabeça que representaria o seu status elevado.
Seu corpo estava envolto em camadas de tecidos variados e em "um manto de penas de arara", disse Palomino. Juntamente com os restos mortais, foram encontrados pequenos objetos, como uma tigela de pedra e uma cesta de palha, que foram exibidos hoje na sede do Ministério da Cultura, em Lima.
Desenvolvida entre 3000 e 1800 a.C., a civilização Caral é considerada a cultura-mãe das Américas. A cidade fica no vale de Supe, a 182 km de Lima, e foi declarada patrimônio cultural da humanidade pela Unesco em 2009.
P.Staeheli--VB