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Prêmio Princesa de Astúrias reconhece criatividade do Studio Ghibli
A produtora japonesa de animação Studio Ghibli, cofundada em 1985 por Hayao Miyazaki, recebeu o Prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades 2026 por obras que "transcendem gerações e fronteiras".
O estúdio, criador de sucessos como "Meu Amigo Totoro", "Princesa Mononoke" e "A Viagem de Chihiro", foi reconhecido "por ter transformado excepcionalmente a criatividade em conhecimento e comunicação", segundo a ata do júri da Fundação Princesa de Astúrias.
Os jurados destacaram o "processo artesanal de grande imaginação" com que o Ghibli criou histórias universais marcadas por "empatia, tolerância e amizade", além do respeito pelas pessoas e pela natureza.
Fundado há mais de quatro décadas por Hayao Miyazaki, Isao Takahata e o produtor Toshio Suzuki, o estúdio se tornou um dos centros de animação mais famosos do mundo, com desenhos feitos à mão, pinturas acrílicas e aquarelas, além de personagens femininas fortes.
- Profundidade -
Apesar de abordar temas como amor pela natureza, tolerância e respeito, as obras do Studio Ghibli costumam esconder múltiplas camadas que aparecem a cada nova exibição.
Takahata, morto em 2018, e Miyazaki pertencem à geração que conheceu a guerra e também incorporaram elementos sombrios à sua narrativa, explicou Goro Miyazaki, filho de Hayao, à AFP no ano passado.
"Não há apenas doçura, mas também amargura e outras coisas que se entrelaçam magnificamente na obra", afirmou, ao evocar um "cheiro de morte" que impregna os filmes.
Referência internacional da animação, o Studio Ghibli acumula reconhecimentos como uma Palma de Ouro honorária e dois Oscars de Melhor Animação por "A Viagem de Chihiro" (2001) e "O Menino e a Garça" (2023), dirigidos por Miyazaki.
O cineasta, de 85 anos, anunciou várias vezes sua aposentadoria, mas voltou para dirigir "O Menino e a Garça", seu filme mais recente.
- Depois de Patti Smith -
O prêmio de Comunicação e Humanidades é o segundo dos oito desta edição, considerados os mais prestigiosos do mundo ibero-americano e concedidos pela Fundação Princesa de Astúrias.
No ano passado, a categoria premiou o filósofo e ensaísta alemão de origem sul-coreana Byung-Chul Han.
A série deste ano começou na semana passada com o Prêmio Princesa de Astúrias das Artes, concedido à cantora americana Patti Smith.
Criadas em 1981, as distinções são dotadas de 50.000 euros (R$ 289.000) e uma escultura do falecido artista catalão Joan Miró.
Os prêmios são entregues pela princesa Leonor e pelos reis Felipe VI e Letizia em outubro, em Oviedo, capital de Astúrias.
H.Weber--VB