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Bolsonaro voltará à prisão em 1º de janeiro após mais de uma semana hospitalizado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado, voltará para a prisão na quinta-feira, 1º de janeiro, após mais de uma semana hospitalizado em Brasília, informaram seus médicos nesta quarta-feira (31).
Bolsonaro, de 70 anos, foi operado em 25 de dezembro de uma hérnia inguinal e, em seguida, foi submetido a um procedimento para conter suas recorrentes crises de soluço.
O Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 27 anos de prisão por liderar um plano frustrado para se manter no poder, após perder as eleições para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022.
"A alta já está programada. Salvo alguma intercorrência nas avaliações prévias, nós pretendemos chegar cedo, fazer a avaliação de rotina e, se não houver nada de diferente, comunicar à Superintendência" da Polícia Federal, onde o ex-presidente está preso, disse a jornalistas o cardiolgista Brasil Caiado, no hospital DF Star.
Há anos, Bolsonaro enfrenta as sequelas de uma facada que sofreu na barriga durante um ato de campanha em 2018, e que exigiu que ele se submetesse a várias cirurgias.
O STF negou um pedido de sua defesa para que o ex-presidente cumprisse pena em prisão domiciliar devido a seu estado de saúde.
"Está correndo tudo bem do ponto de vista de pós-operatório", disse o cirurgião Claudio Birolini nesta quarta-feira.
Após a alta hospitalar, Bolsonaro deverá voltar ao pequeno quarto onde cumpre a sentença, na Superintendência da PF, em Brasília.
Birolini disse que o procedimento médico contra o soluço não conseguiu "interromper totalmente as crises".
Nos últimos dias, Bolsonaro foi submetido a bloqueios anestésicos do nervo frênico, que controla o diafragma, para combater os soluços que, segundo sua família, lhe causam vômitos e dificuldade para respirar.
As limitações do procedimento sugerem que o soluço tenha origem no sistema nervoso central, segundo Birolini.
Bolsonaro padece, ainda, de gastrite e esofagite, e sofre de "apneia do sono severa", enumerou o médico.
"Obviamente ele não está feliz", afirmou Birolini.
Seu estado de ânimo "oscila muito", segundo Caiado. "Ele fica bem abatido nas noites ou nos dias que passa com soluço [...] é claro, ele já chegou aqui com um nível emocional mais deprimido", pontou.
Esta hospitalização de nove dias foi a primeira saída de Bolsonaro desde que foi preso, no fim de novembro.
O ex-presidente alega inocência e se diz "perseguido" pelo STF.
H.Kuenzler--VB