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Trump cancela visita de negociadores dos EUA ao Paquistão, diz imprensa americana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse à Fox News neste sábado (25) que ordenou a seus enviados, Steve Witkoff e Jared Kushner, que não viajassem ao Paquistão para dar continuidade às conversas com autoridades iranianas sobre o fim da guerra.
"Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir, e eu disse: 'Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada'", informou a Fox News, citando as palavras do presidente em uma conversa por telefone.
A guerra, que afeta a economia global, foi deflagrada por um ataque conjunto dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro e desde então já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano.
O Paquistão, que atua como mediador entre Irã e EUA, passou dias tentando facilitar a retomada do diálogo iniciado há duas semanas.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, concluiu neste sábado sua visita a Islamabad.
Araghchi, chegou a Islamabad na noite de sexta-feira e se reuniu neste sábado com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, e com o primeiro-ministro, Shehbaz Sharif.
Segundo seu ministério, Araghchi explicou aos seus interlocutores "as posições de princípio do seu país sobre os últimos desenvolvimentos relacionados ao cessar-fogo e ao fim completo da guerra imposta ao Irã".
Ele deixou o Paquistão horas depois, neste mesmo sábado, segundo a agência oficial Irna. Depois de Islamabad, o chanceler seguiria sua viagem para Omã e Rússia.
No entanto, "nenhuma reunião está agendada entre o Irã e os Estados Unidos", afirmou anteriormente no X o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei.
Ele esclareceu que seu país transmitiria sua posição aos americanos por meio dos mediadores paquistaneses.
- "Salvar a própria pele" -
O Ministério da Defesa do Irã acredita que os Estados Unidos estão buscando "salvar a própria pele".
"Nosso poderio militar é hoje uma força dominante, e o inimigo busca uma maneira de salvar a própria pele para se desvencilhar do atoleiro bélico no qual ficou preso", declarou um porta-voz do ministério citado pela agência Isna.
No entanto, o comando central militar do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, advertiu neste sábado que responderá caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio aos portos iranianos, o que consideram "banditismo" e "pirataria".
O tráfego marítimo permanece interrompido no Estreito de Ormuz devido ao bloqueio conjunto do Irã e dos EUA. Antes da guerra, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo transitavam por essa hidrovia.
Em Teerã, onde o Aeroporto Internacional Imam Khomeini foi reaberto neste sábado, segundo a televisão estatal iraniana, prossegue a onda de execuções de indivíduos acusados de colaborar com Israel durante os protestos contra o governo em janeiro.
Erfan Kiani foi executado por enforcamento após a Suprema Corte confirmar sua sentença, informou o Mizan Online, site do Judiciário iraniano.
- Mais mortos no Líbano -
Na frente libanesa, o cessar-fogo, prorrogado por três semanas, permanece frágil.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou que quatro pessoas morreram neste sábado em ataques israelenses no distrito de Nabatiye, no sul do país.
No dia anterior, reportou seis mortos nas mesmas circunstâncias também no sul.
Israel afirmou ter matado seis membros do grupo pró-iraniano Hezbollah, o qual o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusa de tentar "sabotar" o "processo que visa alcançar uma paz histórica entre Israel e o Líbano".
O movimento xiita, que arrastou o Líbano para a guerra com seus disparos de foguetes contra Israel em 2 de março, opõe-se a negociações diretas e considera a prorrogação da trégua "sem sentido", devido aos persistentes "atos de hostilidade".
Negociações diretas com Israel "equivaleriam a um reconhecimento do inimigo", disse à AFP Ahmad Chumari, de 74 anos, que aproveitou a trégua para deixar Sidon, onde havia se refugiado, e retornar à sua aldeia no sul do Líbano.
Chumari deseja que o cessar-fogo seja "permanente".
Neste sábado, Israel voltou a alertar os moradores para que não retornassem a dezenas de localidades no sul do Líbano, alegando ter atacado vários lançadores de foguetes do Hezbollah durante a noite.
Imagens da AFP mostraram uma grande coluna de fumaça subindo sobre a aldeia de Khiam, na região.
Quase 2.500 pessoas morreram em ataques israelenses no Líbano desde 2 de março.
burx-sst/cab/apz/erl/avl/aa
C.Koch--VB