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EUA busca acelerar envio de ajuda à Venezuela; mortos em terremotos passam de 1.700
O exército dos Estados Unidos redobrou os esforços na Venezuela, nesta segunda-feira (29), para acelerar a chegada de ajuda às vítimas de dois terremotos mortais, cujo balanço trágico não para de aumentar, com mais de 1.700 mortos, além de dezenas de milhares de desaparecidos.
Cinco dias depois dos dois potentes terremotos consecutivos, que devastaram bairros inteiros no estado costeiro de La Guaira e também derrubaram prédios em Caracas, as esperanças de encontrar sobreviventes se dissipam, apesar do trabalho das equipes de resgate vindas de 27 países.
Centenas de corpos estão em necrotérios improvisados em depósitos do porto de La Guaira, a 40 km de Caracas, a área mais afetada pelos terremotos, constatou uma jornalista da AFP nesta segunda-feira.
"Me dizem que ali estão minha irmã e os filhos dela, e os filhos do meu irmão", disse Wilker Molalla, de 25 anos.
"Estamos esperando que cheguem mais caminhonetes para que possam entregá-los a nós com a certidão de óbito e todos os documentos", acrescentou.
O balanço subiu, nesta segunda-feira, para pelo menos 1.719 mortos e mais de 5.000 feridos, informou, nesta segunda-feira, o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, que também reportou 5.034 feridos.
A ONU, que teme um aumento do número de vítimas fatais, fornecerá 10.000 bolsas mortuárias, embora espere que o balanço final seja inferior, disse à imprensa por videoconferência o coordenador das Nações Unidas no país, Gianluca Rampolla Del Tindaro.
Um total de 27 países mobilizou mais de 40 equipes de busca e resgate, ou seja, mais de 2.000 socorristas e pessoal, além de mais de 160 cães, segundo Del Tindaro.
Fuzileiros navais americanos trabalham no reparo do porto de La Guaira para permitir o envio de provisões e equipamentos por mar, informou a jornalistas um funcionário do governo americano em Washington.
Militares da Força Aérea americana ajudam a restabelecer o trânsito no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, perto de Caracas, que já foi reaberto parcialmente para voos de carga e de ajuda humanitária.
- Esperança em meio ao horror -
A janela crítica de 72 horas para resgatar com vida pessoas presas nos escombros se fechou. Mas podem acontecer milagres.
Uma mensagem por WhatsApp reacendeu as esperanças de uma descoberta milagrosa em meio aos escombros, mais de 120 horas após o desastre.
Uma mulher escreveu ao encarregado de um edifício de apartamentos que desmoronou em Caraballeda, uma das áreas mais afetadas, a cerca de 40 km de Caracas, para dizer que estava viva, contou à AFP Daniel Pino, um socorrista voluntário.
Um jovem de 21 anos identificado como Aaron Levi foi resgatado, nesta segunda-feira, na localidade vizinha de Tanaguarena, segundo um vídeo difundido por um fotógrafo que acompanhou a operação para resgatá-lo.
Mas o medo assombra. Na manhã desta segunda-feira, uma forte réplica de magnitude 4,6, sentida em Caracas e em La Guaira, reviveu a angústia, mas sem provocar danos adicionais.
"Foi muito forte", disse à AFP Isamel Díaz, morador de La Guaira. Foi a réplica mais intensa reportada desde o duplo terremoto com magnitude 7,2 e 7,5.
La Guaira, que já tinha sido devastada em 1999 por chuvas e deslizamentos que deixaram mais de 10.000 mortos, parece uma zona de guerra. Fileiras de edifícios colapsaram como castelos de cartas e se transformaram em montanhas de areia e escombros.
Ao menos 855 edifícios sofreram danos pelos terremotos. Segundo o boletim oficial, 189 sofreram colapso total.
Imagens do drone da AFPTV em La Guaira mostraram colunas de fumaça subindo em meio aos escombros, enquanto bairros foram reduzidos a pó.
- Revolta com a lentidão -
A população não esconde sua revolta com a lenta e escassa ajuda do governo.
"Nós mesmos fazemos tudo. Nós mesmos nos ajudamos, confiando que Deus nos sustenta", declarou à AFP Dayana Lean, de 51 anos, na praia Los Cocos, em La Guaira.
A ONU estima que os terremotos poderiam deixar quase sete milhões de desabrigados e danos materiais de 6,7 bilhões de dólares (R$ 34,6 bilhões), 6% do PIB do país sul-americano.
O governo militarizou La Guaira e impôs o trâmite de um salvo-conduto para que socorristas, médicos e voluntários possam ter acesso à zona do desastre.
Também tenta controlar a cobertura da imprensa internacional. Os jornalistas são levados de ônibus para zonas específicas de La Guaira para evitar epidemias, segundo o governo.
As ofertas de ajuda são muitas, mas a AFP presenciou saques em La Guaira e as denúncias de roubos se multiplicam.
A crise econômica na Venezuela afetou gravemente os hospitais e os serviços públicos, levando milhões de venezuelanos a fugir para o exílio nos últimos anos.
A líder opositora María Corina Machado disse, no domingo, à emissora americana Fox que voltará à Venezuela "muito em breve".
"Chegou o momento, é meu dever estar junto do meu povo", afirmou.
O.Schlaepfer--VB