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Mercosul dá forte apoio a governo da Bolívia
Os chanceleres do Mercosul lançaram, nesta segunda-feira (29), uma forte mensagem de apoio ao governo do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, após semanas de bloqueios rodoviários e pedidos de renúncia, antes de uma reunião de cúpula de presidentes do bloco em Assunção.
Várias cidades da Bolívia sofreram nas últimas sete semanas com escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos devido aos bloqueios viários contra o governo do presidente Paz, de centro-direita, cuja renúncia foi pedida por sindicatos, indígenas e cocaleiros em meio à pior crise econômica do país em quatro décadas.
Rubén Ramírez, chanceler do Paraguai, país anfitrião da cúpula do Mercosul e que ocupa a presidência temporária do bloco, abriu, nesta segunda-feira, a reunião de ministros das Relações Exteriores, que antecede a 68ª cúpula presidencial prevista para a terça-feira, com forte apoio a Paz.
"O bloqueio sistemático de rotas e a contínua violência nas ruas, afetando gravemente a vida cotidiana da população e pretendendo subverter a ordem constitucional da República da Bolívia, são inaceitáveis", disse.
"Não devemos nunca esquecer que a estabilidade democrática e a ordem constitucional de cada um dos nossos países constitui um interesse comum e um princípio diretor do Mercosul", acrescentou Ramírez na abertura da Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum.
Os presidentes do Mercosul vão se reunir na terça-feira para começar as negociações de um acordo de associação econômica com o Japão.
O início das negociações sobre este acordo - similar a um tratado de livre comércio - ocorrerá depois de duas reuniões, em janeiro e março deste ano, nas quais o país asiático e os membros do Mercosul - Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia - "trocaram informação sobre áreas de interesse e sensibilidades mútuas", segundo um comunicado do bloco.
O chanceler paraguaio tinha confirmado na semana passada que sete chefes de Estado da região participariam do encontro desta terça-feira, inclusive o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora a presença do argentino Javier Milei estivesse em dúvida devido à convulsão política na Argentina após a renúncia, no domingo, de seu chefe de gabinete.
Também são aguardadas as participações na cúpula dos presidentes chileno, José Antonio Kast, e equatoriano, Daniel Noboa. A reunião ocorrerá no Centro de Convenções da Conmebol, nos arredores da capital paraguaia.
Durante a presidência pró-tempore semestral do Paraguai, o bloco conseguiu concretizar a assinatura de um acordo histórico com a União Europeia, um marco após mais de 25 anos de negociações.
O Uruguai assumirá a presidência rotativa na terça-feira.
Em sua mensagem de pouco mais de 20 minutos, o chanceler paraguaio reivindicou uma distribuição equitativa dos lucros resultantes deste tratado, assinado em janeiro, e cuja ratificação por parte da UE segue pendente.
R.Braegger--VB