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Irã e EUA anunciam pausa nas hostilidades
Irã e Estados Unidos interromperam os ataques, segundo Washington, após um aumento das tensões na navegação no Estreito de Ormuz, que a República Islâmica continua determinada a controlar.
Nesta segunda-feira (29), representantes de Omã e da República Islâmica se reuniram em Mascate para "trocar pontos de vista" sobre a "futura gestão" da importante via marítima, anunciou o Ministério das Relações Exteriores iraniano.
Os dois países anunciaram na semana passada a criação de um comitê conjunto para alcançar um acordo sobre a administração do estreito, por onde, antes da guerra, trafegavam 20% dos hidrocarbonetos consumidos no mundo.
O Irã afirma há várias semanas que o funcionamento de Ormuz não voltará a ser como antes da guerra, quando era gratuito, o que tem a oposição dos Estados Unidos. Teerã ameaçou os navios que optarem por contornar o único itinerário que autorizou, aquele que margeia suas costas.
Depois de acusar o Irã de atacar dois navios na semana passada, as forças dos Estados Unidos bombardearam a República Islâmica no sábado. Teerã respondeu no domingo com ataques contra o Kuwait e o Bahrein, países do Golfo que abrigam bases americanas.
As hostilidades colocaram em risco o memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que tem o objetivo de acabar com a guerra no Oriente Médio.
No domingo, uma fonte do governo americano anunciou que "as partes vão recuar no momento e os navios poderão transitar livremente" pelo Estreito de Ormuz. Também indicou que há "conversações técnicas (...) programadas para continuar sobre todas as áreas do memorando de entendimento".
- Soberania de Ormuz -
A fonte não confirmou, no entanto, as informações da imprensa dos Estados Unidos sobre uma reunião entre iranianos e americanos no Catar, na terça-feira, para discutir a questão do Estreito de Ormuz.
A diplomacia iraniana negou qualquer reunião nos próximos dias com representantes de Washington.
Irã e Omã reivindicam sua soberania sobre Ormuz e cogitam impor taxas pelo uso do estreito, apesar de a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que Teerã não ratificou, garantir o direito de "passagem em trânsito" nos estreitos utilizados para a navegação internacional.
O estreito foi reaberto na semana passada. O Irã fechou, de fato, a via a partir do início da guerra, em 28 de fevereiro, com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel. O bloqueio afetou gravemente o comércio mundial de hidrocarbonetos e provocou a disparada dos preços do petróleo.
O Irã insiste que os navios que atravessam o estreito devem seguir por um corredor próximo à sua costa - na última semana, dezenas de embarcações passaram pelo lado oposto do canal, junto ao litoral de Omã.
No domingo, o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reiterou que apenas o Irã é "responsável" pela gestão do estreito. Ele advertiu que adotar medidas diferentes "levará apenas a situações mais complicadas e a atrasos na reabertura do Estreito de Ormuz".
- Ataques israelenses no Líbano -
Israel prosseguiu com os ataques no domingo no Líbano, apesar da assinatura, na sexta-feira em Washington, de um acordo que visa uma "paz duradoura" entre os dois países.
Mas o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, aliado do Hezbollah, afirmou no domingo que o acordo assinado com Israel "não será adotado", por considerar que não garante os direitos de seu país.
O movimento islamista pró-Irã declarou nesta segunda-feira, em um comunicado, que se reservava o direito à autodefesa após os ataques israelenses no sul do Líbano.
O acordo condiciona a retirada de Israel das terras libanesas ocupadas ao desarmamento, por parte de Beirute, do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Uma exigência antiga que o governo libanês não conseguiu implementar.
O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã, após o início da guerra contra Teerã.
O Irã insistiu em incluir o conflito no Líbano no memorando de entendimento com os Estados Unidos.
D.Schaer--VB