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México promete blindar Copa do Mundo de 2026
Milhares de policias fortemente armados patrulham as ruas lotadas de estrangeiros da Cidade do México, enquanto forças especiais ensaiam manobras para neutralizar possíveis cartéis das drogas.
As autoridades mexicanas se dizem preparadas para garantir a segurança da Copa do Mundo de futebol, que começa na quinta-feira (11).
O torneio é realizado três meses e meio depois da morte de um poderoso chefão em uma operação militar que resultou em bloqueios viários, queima de veículos e fechamento de lojas em represália, e fez soar o alarme.
Agora, o país espera a visita de mais de 5 milhões de visitantes durante o maior torneio de futebol do planeta.
Este número não é incomum em um país visitado anualmente por dezenas de milhões de turistas atraídos, além de sua cultura e gastronomia, por competições de Fórmula 1 e grandes shows.
"A cidade tem muitíssima experiência na organização deste tipo de evento, na gestão de multidões. Há confiança", disse à AFP o chefe de polícia da capital, Pablo Vázquez.
O México sedia a Copa do Mundo pela terceira vez, agora juntamente com Estados Unidos e Canadá.
- "Nenhum risco" -
Os dias que antecedem a Copa do Mundo têm sido marcados por protestos de professores em greve, que bloquearam rodovias e levaram o governo a fechar com barreiras de metal os acessos ao Zócalo, a grande praça central.
No meio da esplanada, fica o 'fan fest' da cidade, com capacidade para cerca de 55.000 torcedores. Ali, a presidente Claudia Sheinbaum tem previsto assistir ao jogo de abertura. Ela não irá ao estádio.
As manifestações geraram um caos no já complicado trânsito da cidade, uma verdadeira preocupação às vésperas da Copa, sobretudo porque os educadores ameaçaram realizar novos protestos, assim como outros coletivos, como os que buscam os desaparecidos pela violência.
"Vamos garantir (...) que a realização da inauguração da Copa do Mundo transcorra bem, em paz e tranquila", afirmou Sheinbaum na segunda-feira.
Mas a violência que se seguiu à morte do chefe do tráfico Nemesio "El Mencho" Oseguera, em 22 de fevereiro, revelou as vulnerabilidades do país na área da segurança. Vinte dos 32 estados do país foram alvo do terror imposto por seu Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), depois da operação militar para sua captura, a cerca de 130 km de Guadalajara, uma das sedes da Copa do Mundo.
Um cenário semelhante preocupa, mas a presidente de esquerda deu "todas as garantias" para a realização do Mundial. Não há "nenhum risco" para os visitantes, assegurou.
- "Estranho" -
A polícia da Cidade do México mobilizou patrulhas nas ruas de bairros turísticos, como Roma e Condesa. O dispositivo mobilizado no centro é maior, com unidades da tropa de choque.
"É estranho ver tantos policiais", afirmou Henry Ricketts, um turista canadense no centro histórico da capital. "No Canadá, não há mobilização extra de policiais, então parece um pouco inquietante".
"Sinto que possivelmente (os turistas) acabem ficando assustados", afirmou, por sua vez, Miriam Sánchez, uma mexicana que se diz habituada a estas mobilizações.
A violência varia de acordo com a região do país. Estados como Sinaloa, Guanajuato e Chihuahua estão entre os mais perigosos.
Também Jalisco, onde fica Guadalajara. Perto de seu estádio, Akron, por exemplo, foram encontradas valas clandestinas do narcotráfico.
A Fifa expressou confiança sobre a segurança no México.
- Paz "garantida" -
Os esforços de segurança se inserem no chamado Plano Kukulkán, que coordena os esforços de quase 100.000 efetivos, entre militares, policiais e seguranças privados.
A AFP acompanhou um treinamento de ataque e resgate de um comando de elite responsável pelas operações contra "El Mencho" e Ovidio Guzmán, filho de "El Chapo", capturado em 2023 e extraditado para os Estados Unidos.
Em cerca de sete minutos, atiradores de elite neutralizam inimigos em potencial a mais de 300 metros de distância e abrem o caminho para paraquedistas que tomam de assalto um centro populoso.
Com a área segura, as forças de elite da Guarda Nacional - as FERI - resgatam uma refém em meio a explosivos, fumaça e rajadas de armas de grosso calibre.
"O principal desafio é que esta Copa do Mundo seja uma das mais bem-sucedidas da história", diz o tenente-coronel Manuel Cabrera, segundo comandante da FERI. "Estejam certos de que a paz está garantida aqui".
C.Kreuzer--VB