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Irã ataca Israel pela primeira vez desde trégua no Oriente Médio
O Irã lançou no domingo (7) vários mísseis contra Israel, que afirma tê-los interceptado, rompendo um frágil cessar-fogo após 100 dias de guerra no Oriente Médio.
Israel ameaçou nesta segunda-feira responder a esses lançamentos, apresentados por Teerã como retaliação pelos bombardeios israelenses no Líbano, que deixaram dois mortos e 20 feridos, entre eles quatro crianças e quatro mulheres, segundo o Ministério da Saúde libanês.
A Guarda Revolucionária do Irã qualificou os mísseis como um “aviso” a Israel.
A ação iraniana levou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ligar para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para adverti-lo a não responder ao ataque.
“Vou ligar para o Bibi (Netanyahu) agora mesmo e dizer para ele não responder”, disse Trump em uma entrevista por telefone, segundo o jornalista Barak Ravid, do Axios. “Israel lançou seu ataque e o Irã lançou seu ataque. Não precisamos de outro”, declarou.
Ravid publicou posteriormente no X que, segundo uma autoridade americana, Trump de fato conversou com Netanyahu.
Israel acusou o Irã de cometer um “grave erro” com seu ataque, que, segundo o exército israelense, incluiu 11 mísseis, todos os quais teriam sido interceptados, sem deixar vítimas.
O chefe militar israelense, tenente-general Eyal Zamir, assegurou que o exército “atingirá o inimigo com força assim que receber luz verde”.
Teerã afirmou em um comunicado que Israel havia “cruzado todas as linhas vermelhas” no Líbano e, em seguida, anunciou a suspensão dos voos em seu aeroporto internacional.
A possibilidade de alcançar um acordo para pôr fim à guerra iniciada há 100 dias, que abalou a economia mundial, torna-se cada vez mais distante.
- Estagnação -
"O bloqueio naval imposto ao Irã e a luz verde dada hoje pelos Estados Unidos ao regime sionista transformam as bases e os ativos americanos e do regime (israelense) na região em alvos legítimos", declarou no X o negociador-chefe do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A Guarda Revolucionária anunciou nesta segunda-feira um ataque contra “grupos terroristas” no Curdistão iraquiano, segundo a imprensa estatal.
Embora as negociações de paz pareçam estagnadas, o Paquistão, que atua como mediador, prossegue com seus esforços.
Segundo a televisão estatal, o ministro do Interior paquistanês, Mohsen Naqvi, visitou novamente Teerã e entregou uma “carta especial” dirigida ao líder supremo Mojtaba Khamenei, que contém “uma mensagem muito importante”, afirmou, sem revelar seu conteúdo.
Por sua vez, o porta‑voz da chancelaria iraniana, Ismael Baqai, qualificou o processo de negociações de “trabalhoso”.
Em Teerã, a incerteza e o impasse econômico pesam sobre os habitantes.
"Tenho a sensação de que esta situação vai se prolongar por um tempo: uma espécie de estado de suspensão, no qual uns lançam mísseis, outros enviam drones, e duvido que tudo isto resulte em uma estabilidade real", disse à AFP Farhad, um chef de 35 anos, na capital iraniana.
Desde o cessar‑fogo de 8 de abril, as hostilidades haviam praticamente cessado. No entanto, ressurgiram nos últimos dias, especialmente em torno do Estreito de Ormuz.
O exército americano anunciou no domingo ter derrubado dois drones iranianos que ameaçavam o tráfego marítimo internacional no estreito e afirmou que suas forças se mantinham "em alerta".
- Hostilidades no Líbano -
Paralelamente, as hostilidades continuam no outro front do conflito, o Líbano, de onde foram disparados projéteis contra Israel neste domingo, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor.
O conflito começou em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel para vingar a morte do anterior líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.
Neste domingo, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que o exército atacou centros de comando do grupo xiita nos subúrbios do sul de Beirute, "em resposta aos disparos do Hezbollah contra o território israelense".
Desde o início da guerra, em março, os ataques contra o Líbano deixaram ao menos 3.613 mortos, segundo o último balanço das autoridades.
Do lado israelense, morreram no Líbano 29 soldados e um funcionário terceirizado civil, segundo o exército.
O Irã exige que qualquer acordo com os Estados Unidos inclua o fim das hostilidades em território libanês, enquanto os Estados Unidos prefeririam tratar os dois temas em separado.
Nesse contexto, Trump pediu a seu aliado israelense que os ataques contra o Hezbollah fossem mais “cirúrgicos”.
As posições de Teerã e Washington seguem muito distantes em temas como o conflito no Líbano, os ativos iranianos congelados no exterior, a energia nuclear e o controle do Estreito de Ormuz.
Por sua vez, o Irã, que participa da Copa do Mundo de futebol, organizada por Estados Unidos, México e Canadá, denunciou um "tratamento discriminatório" contra sua delegação, pois vários membros da equipe técnica não conseguiram obter vistos para entrar no território americano.
burx-anb/mdh/pc/erl/mvv/ic
A.Ammann--VB