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Hezbollah rejeita acordo de cessar-fogo no Líbano e exige retirada de Israel
O Hezbollah, grupo islamista libanês em guerra com Israel, rejeitou nesta quinta-feira (4) o acordo de cessar-fogo condicional anunciado na véspera em Washington e exigiu, em vez disso, uma trégua abrangente e a retirada total das forças israelenses do Líbano.
"O cessar-fogo deve ser global", afirmou o chefe do movimento, Naim Qassem, ao exigir que "o inimigo israelense" não tenha "liberdade para matar".
A formação pró-iraniana arrastou o Líbano para a guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto nos bombardeios israelenses-americanos de 28 de fevereiro que desencadearam uma guerra regional.
Na tentativa de pôr fim às hostilidades, as autoridades libanesas iniciaram negociações com Israel sob os auspícios de Washington, pela primeira vez em décadas entre esses dois países, que não mantêm relações diplomáticas. Mas o Hezbollah se opõe.
Ao término de uma quarta sessão de negociações na quarta-feira, foi anunciado um novo acordo, já que a trégua em vigor desde 17 de abril nunca foi respeitada.
O que foi anunciado prevê uma cessação das hostilidades condicionada à interrupção total dos disparos do Hezbollah e constitui, segundo o presidente libanês, Joseph Aoun, "a última oportunidade para alcançar um cessar-fogo global e definitivo" com Israel.
- "Fim à farsa" -
Mas Qassem pediu ao governo libanês que "ponha fim à farsa e à humilhação das negociações diretas" com Israel.
O líder do Hezbollah ressaltou que não haverá "segurança" para o norte de Israel "sem segurança para as aldeias" do sul do Líbano, enquanto o acordo prevê, por enquanto, a manutenção dos disparos e das operações do Exército israelense na região.
Nesta quinta-feira, bombardeios israelenses deixaram oito mortos e oito feridos, entre eles mulheres e crianças, no sul e no leste do país, segundo o Ministério da Saúde libanês. O Exército israelense informou, por sua vez, que um soldado "caiu em combate" no sul do país vizinho.
Os libaneses foram chamados por Israel a evacuar a área situada entre a fronteira israelense e o rio Litani, cerca de 40 km mais ao norte, já que as tropas "continuam atacando" nessa região infraestruturas do Hezbollah.
Prever "a cessação dos disparos por parte do Hezbollah e a retirada dos combatentes da resistência (...) do sul, enquanto a agressão continua" equivale a "uma rendição e uma derrota, que servem aos objetivos do inimigo", afirmou Qassem.
O Hezbollah comunicou formalmente às autoridades libanesas sua rejeição ao acordo, indicou à AFP um de seus dirigentes sob condição de anonimato.
Apesar dessa rejeição, o governo libanês anunciou o próximo deslocamento do Exército para "zonas-piloto" do sul. Mas a população permanece cética.
"Não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola", disse à AFP Mohammad Chamsedin, de 56 anos, que fugiu de sua casa na periferia sul de Beirute.
No sul do Líbano, um capacete azul sérvio morreu, a sétima morte nas fileiras da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Finul) desde o início de março.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou esse "assassinato" e pediu o respeito ao cessar-fogo, segundo seu porta-voz.
- "Duro revés" -
Os bombardeios israelenses no Líbano causaram mais de 3.500 mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas desde 2 de março, quando começaram as hostilidades, segundo as autoridades libanesas.
Do lado israelense, 27 soldados e um prestador de serviços civil morreram no Líbano, após o anúncio nesta quinta-feira de uma nova vítima fatal.
A situação na frente libanesa condiciona as negociações entre Washington e Teerã para encerrar a guerra que eclodiu em fevereiro em todo o Oriente Médio.
Teerã exige que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no Líbano e a retirada das tropas israelenses.
"Apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um de nós", escreveu o general Esmail Qaani, responsável pela Força Quds, o braço de operações externas da Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã.
E, apesar de o presidente americano Donald Trump parecer otimista, as negociações estão estagnadas e os ataques continuam de forma esporádica no Golfo.
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira, em uma declaração escrita, que os Estados Unidos e Israel buscam "a divisão" de seu país após terem sofrido um "duro revés" na guerra.
O dirigente não é visto em público desde os ataques que mataram seu pai e antecessor, Ali Khamenei, nos quais, segundo os Estados Unidos e Israel, ele ficou ferido.
C.Kreuzer--VB