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Rubio alerta Cuba após indiciamento de Raúl Castro nos EUA
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, advertiu nesta quinta-feira (21) que Washington estava muito focado em mudar o sistema comunista de Cuba, horas depois de a acusação formal apresentada nos Estados Unidos contra o ex-presidente Raúl Castro causar consternação na ilha.
O exército americano anunciou que o porta-aviões USS Nimitz e seus navios de escolta haviam entrado no Caribe, embora o presidente Donald Trump tenha descartado que sua mobilização tivesse como objetivo intimidar Cuba.
Rubio, cubano-americano e ferrenho opositor do governo de Havana, descreveu o país caribenho, situado a cerca de 145 quilômetros da Flórida, como um "Estado falido" mergulhado em uma grave crise econômica.
"Seu sistema econômico não funciona. Está quebrado, e não pode ser consertado com o sistema político atual que está em vigor", disse o secretário de Estado a jornalistas em Miami.
"Eles não vão conseguir que a gente se renda nem ganhar tempo. Estamos muito sérios. Estamos muito focados", acrescentou.
Rubio afirmou que os Estados Unidos preferiam "sempre uma solução diplomática", mas alertou que Trump tinha outras opções em relação a Cuba, que "sempre representou uma ameaça para a segurança nacional".
O secretário de Estado também indicou que Cuba havia aceito a princípio uma oferta americana de 100 milhões de dólares (cerca de 500 milhões de reais) em ajuda em troca de reformas.
Acrescentou, no entanto, que ainda não era certo que Washington aceitasse as condições de Havana, já que os Estados Unidos insistem em não colaborar com a Gaesa, empresa controlada pelos militares que domina a economia da ilha.
- Chamado para protestos -
As acusações contra Raúl Castro - que aos 94 anos continua influente na política cubana - intensificam a pressão exercida por Washington sobre Cuba, submetida a um embargo desde 1962 e agora devastada por uma crise econômica e energética.
O irmão mais novo de Fidel Castro foi indiciado pela derrubada de dois aviões de um grupo anticastrista, matando quatro pessoas em fevereiro de 1996, quando ele era ministro da Defesa.
"Isso não é uma alegação, é diretamente uma acusação de mais de 30 anos atrás", declarou à AFPTV Fabián Fernández, um contador de 30 anos, em Havana. "É uma coisa política e de imagem", acrescentou.
As autoridades cubanas instaram a população a protestar contra o "desprezível" indiciamento. O jornal oficial Granma pediu aos cubanos que se reúnam em frente à embaixada dos Estados Unidos em Havana na sexta-feira.
- Chega de "controle e isolamento" -
Durante uma coletiva de imprensa no México, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, disse que "depois de décadas de má gestão e repressão política, a crise econômica de Cuba está realmente chegando a um ponto de ruptura" e defendeu que "o povo cubano merece oportunidades e liberdade, e não mais controle e isolamento".
A China, por sua vez, afirmou que os Estados Unidos devem "parar de brandir o porrete das sanções e o porrete judicial contra Cuba, e parar de ameaçar com o uso da força a cada passo".
Da mesma forma, a Rússia criticou a imputação a Castro e argumentou que “em nenhuma circunstância esses métodos, que beiram a violência, devem ser utilizados contra chefes de Estado", estejam eles em exercício ou sejam ex-mandatários, segundo declarações do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
- "O mesmo" que foi feito com Maduro -
O bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que já dura quatro meses, levou a economia da ilha, já muito castigada, à beira do colapso.
Trump, que alterna ameaças com ofertas de diálogo, reduziu as expectativas de adotar medidas contra Cuba após a abertura do processo contra Castro.
“Não haverá escalada, não é necessário. Está caindo aos pedaços. Eles realmente perderam o controle de Cuba”, declarou o presidente americano na quarta-feira.
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou no X que as acusações contra Castro carecem de fundamento jurídico e buscam apenas "justificar o desatino de uma agressão militar a Cuba".
"A ideia é dizer: 'Podemos fazer com eles o mesmo que fizemos com Nicolás Maduro'", explicou à AFP Christopher Sabatini, pesquisador sênior para a América Latina no Chatham House.
"O exército sem dúvida defenderia Cuba" em caso de uma intervenção militar americana, disse Sabatini. "Se o povo o faria ou não, é difícil dizer."
Iris Herrera, trabalhadora autônoma de 58 anos, afirmou que se preocupa com uma intervenção militar. "Eu sou revolucionária e amo a minha revolução, e não concordo com uma guerra dos Estados Unidos aqui em Cuba", disse à AFP.
"É desumano, porque vai haver mortos, vai haver muitos mortos", acrescentou.
H.Weber--VB