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Irã aguarda representante do Paquistão e Trump alerta que negociações estão 'no limite'
Os esforços para encontrar uma saída para a guerra do Irã se intensificam nesta quinta-feira (21) com a esperada visita a Teerã do comandante do exército do Paquistão, que atua como mediador nas negociações com os Estados Unidos.
Na véspera, Donald Trump alertou que as negociações estavam "no limite", entre alcançar um acordo e retomar os ataques.
A guerra, que abalou a economia global, começou em 28 de fevereiro com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Desde 8 de abril, um frágil cessar-fogo interrompeu as hostilidades, mas Estados Unidos e Irã continuam trocando declarações.
O comandante do exército paquistanês, Asim Munir, deve chegar ao Irã para "continuar as negociações com autoridades iranianas", segundo a agência de notícias Isna e outros veículos de comunicação, sem fornecer mais detalhes.
O Paquistão intensificou os esforços de mediação entre Teerã e Washington nos últimos dias. Seu ministro do Interior, Mohsin Naqvi, viajou ao Irã duas vezes para transmitir a mais recente proposta dos Estados Unidos para encerrar o conflito.
Uma proposta que o governo iraniano diz estar considerando.
Mesmo assim, a República Islâmica reiterou suas exigências: o "desbloqueio dos ativos iranianos" no exterior e que os Estados Unidos cessem o bloqueio aos portos iranianos, em vigor desde 13 de abril.
Além disso, Teerã insistiu que "jamais cederá à intimidação".
A Guarda Revolucionária, o exército ideológico do Irã, ameaçou estender a guerra "muito além da região" caso o país seja atacado novamente.
- Trump ameaça -
Até o momento, houve apenas uma rodada de negociações, em 11 de abril no Paquistão, que se mostrou infrutífera. Desde então, as conversas acontecem nos bastidores.
"Veremos o que acontece. Ou chegamos a um acordo, ou tomaremos medidas mais duras", declarou o presidente Trump na quarta-feira. As negociações estão "no limite, acreditem", disse ele.
Para o republicano, um acordo com o Irã economizaria "muito tempo, energia e vidas", e ele acredita que poderia ser alcançado "muito rapidamente, ou em poucos dias".
Em meio às expectativas de uma resolução para o conflito, os preços do petróleo caíram, embora permaneçam em torno de 100 dólares o barril, bem acima dos níveis pré-guerra.
- Divergências entre Trump e Netanyahu -
A imprensa americana relatou divergências de estratégia entre Donald Trump e seu aliado israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Os dois tiveram uma conversa tensa por telefone na terça-feira e, segundo a CNN e a CBS, o presidente americano foi bastante enfático. Netanyahu "fará o que eu quero que ele faça", teria dito Trump.
Isso sugere, de acordo com esses veículos de comunicação, que Washington continua pressionando por uma solução diplomática, enquanto Israel quer retomar os combates.
"Um cenário que é um pesadelo para Netanyahu: um acordo que [...] poderia até mesmo acabar com a guerra", comentou Danny Citrinowicz, pesquisador do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, na rede X.
Israel busca, a longo prazo, derrubar a República Islâmica, seu arqui-inimigo, enquanto, "para os Estados Unidos, a prioridade sempre foi impedir a nuclearização [do Irã], mesmo que isso signifique alcançar um acordo com o regime" dos aiatolás, observou o especialista.
O presidente dos EUA e seu governo buscam uma saída para o conflito, que é muito impopular na opinião pública.
O conflito afetou gravemente a economia global, uma vez que o fechamento do estratégico Estreito de Ormuz pelo Irã provocou uma disparada nos preços dos hidrocarbonetos e levou a uma crescente escassez de matérias-primas.
Antes da guerra, aproximadamente 20% dos hidrocarbonetos mundiais passavam por esta via estratégica, controlada por Teerã.
No início da semana, o Irã estabeleceu oficialmente um órgão para supervisionar o Estreito de Ormuz, que inicialmente cobrará pedágio dos navios que desejarem atravessá-lo.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) reivindicou, nesta quinta-feira, uma zona controlada que se estende até as águas ao sul do porto emiradense de Fujairah, no Golfo de Omã, um local-chave na estratégia de Abu Dhabi para contornar o bloqueio de Ormuz.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) afirmou que o fechamento prolongado desse estreito pode causar um "choque agroalimentar sistêmico", capaz de desencadear uma grave crise global nos preços dos alimentos.
S.Gantenbein--VB