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Protesto na Venezuela contra morte de presos políticos sob custódia do Estado
Ativistas de direitos humanos e familiares exigiram, nesta quarta-feira (20), a destituição de autoridades penitenciárias pela morte de cerca de 20 presos políticos sob custódia na Venezuela, vários deles submetidos ao desaparecimento forçado.
A manifestação ocorre em meio à promessa de 300 novas solturas de presos políticos, feita na véspera pelo líder parlamentar Jorge Rodríguez, depois de uma anistia promovida ela Presidência interina, aós a captura de Nicolás Maduro, em janeiro.
A ONG Foro Penal estima que pelo menos 20 presos políticos morreram sob custódia desde 2014.
"O ministro atual (Julio Zerpa) tem total responsabilidade por estas mortes e as de outros presos que morreram sob custódia do Estado", disse Diego Casanova, do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve). Zerpa foi designado por Maduro em junho de 2024.
Cerca de 100 pessoas caminharam até o Ministério de Serviços Penitenciários, em Caracas. Várias taparam suas bocas com fita adesiva por se tratar de uma "marcha silenciosa".
Os manifestantes carregaram um caixão simbólico com os nomes dos mortos. "Nem um a mais", dizia um dos cartazes.
O rosto de Víctor Hugo Quero, um comerciante de 50 anos, detido em janeiro de 2025 por agentes de inteligência e cuja morte foi notificada quase um ano depois pelo governo, foi um dos protagonistas do protesto. Também foi o de sua mãe, Carmen Teresa Navas, de 81 anos, falecida dez dias depois de saber da morte do filho, submetido ao desaparecimento forçado antes de falecer.
"Estamos exigindo consequências para os encarregados atuais por administrar as prisões, como é o ministro para o serviço penitenciário, e todos os responsáveis, para os quais exigimos a remoção imediata", destacou Casanova.
Logo após a captura de Maduro durante uma incursão americana, em 3 de janeiro, a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciou libertações maciças de presos políticos. Em seguida, promulgou uma lei de anistia que ampliou o número de solturas.
Segundo a Foro Penal, desde janeiro houve mais de 800 libertações, 186 através da anistia.
Enquanto isso, o governo fala de 8.000 beneficiados com a anistia, em vigor desde fevereiro. Destes, 314 correspondem a solturas e o restante a pessoas sujeitas a medidas de apresentação periódica em tribunais que receberam a liberdade plena.
Até a primeira semana de maio, havia 457 presos políticos na Venezuela, segundo a Foro Penal.
G.Frei--VB