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Polícia e Exército enfrentam manifestantes na Bolívia para desbloquear rodovias
Pelo menos 57 pessoas foram detidas neste sábado (16) durante confrontos entre a polícia e manifestantes que bloqueiam as rodovias de acesso a La Paz em protesto contra o governo e em demanda por aumentos salariais, informou a Defensoria do Povo.
Os agentes de ordem usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Eles fecharam quase todos os acessos à cidade e impedem a passagem de carregamentos de alimentos e insumos médicos.
Desde o início de maio, trabalhadores, agricultores, professores, indígenas e transportadores exigem aumentos salariais, estabilização da economia, a não privatização de empresas e até mesmo a renúncia do presidente de centro-direita Rodrigo Paz.
A operação, que mobiliza cerca de 3.500 agentes, segundo a imprensa local, começou às 2h (hora local) em La Paz, na vizinha El Alto e na rodovia La Paz-Oruro (sul), onde o exército informou que liberou um sentido da via.
A operação é "um esforço específico (...) para estabelecer um corredor humanitário diante de uma série de bloqueios que impedem o trânsito" de alimentos, oxigênio para os hospitais e medicamentos para La Paz, disse em entrevista coletiva José Luis Gálvez, porta-voz da Presidência.
Ele apontou que, nos últimos dias, três pessoas morreram porque não puderam ser levadas a centros médicos. Durante o dia, "foi possível (...) liberar vários pontos bloqueados" e "outros foram retomados" pelos manifestantes, afirmou.
Víctor Valderrama, chefe das Forças Armadas, assegurou à imprensa que durante a operação não foram usadas armas letais.
- Cidade cercada -
Com quase todas as rotas de acesso fechadas na última semana, os preços dos alimentos perecíveis dispararam nos mercados de La Paz, sede dos poderes Executivo e Legislativo.
A administradora estatal de rodovias informou neste sábado que há pelo menos 22 pontos bloqueados no país, a maioria no departamento de La Paz.
O governo mantém uma "ponte aérea" desde domingo para levar carnes e verduras à cidade.
A Argentina apoiará esse esforço, comum na Bolívia para enfrentar esse tipo de medidas de pressão, com dois aviões militares Hércules, informou o governo.
Em uma declaração conjunta emitida na sexta-feira, os governos da Argentina, Chile, Peru, Equador, Costa Rica, Paraguai, Panamá e Honduras manifestaram sua preocupação com a "situação humanitária" do país.
Em meio à convulsão, o governo de Paz se reúne neste sábado, em El Alto, com um setor da Central Obrera Boliviana (COB), o maior sindicato do país, para negociar uma saída para a crise e "pacificar o país".
Na quinta-feira, esse sindicato havia anunciado que suas reivindicações não tinham sido atendidas e que exigiam a renúncia do mandatário.
- Evo -
Agricultores alinhados ao ex-presidente socialista Evo Morales (2006-2019) também tomaram neste sábado o aeroporto de Chimoré, na região cocaleira do Chapare, em Cochabamba (centro), informou Mauricio Zamora, ministro de Obras Públicas, em suas redes sociais.
Os manifestantes temem que Morales seja preso em breve. Ele é procurado pela Justiça por um caso de suposto tráfico de uma menor e está refugiado na região do Chapare.
Na sexta-feira, denunciou um suposto plano com a intervenção da DEA, a agência antidrogas dos Estados Unidos. "Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz executar uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul norte-americano, para me prender ou me matar", disse Morales no X.
Imagens divulgadas por Zamora mostram um caminhão despejando entulhos na entrada e dezenas de pessoas levando troncos e paus até a pista.
O aeródromo, de uso predominantemente policial e militar, está inoperante desde 2024, depois que outra manifestação deixou a infraestrutura em mau estado.
Enquanto isso, uma marcha com apoiadores do primeiro presidente indígena da Bolívia partiu de Oruro rumo a La Paz, onde esperam chegar na segunda-feira para se somar aos protestos.
T.Egger--VB