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Irã dá ultimato para EUA aceitar sua contraproposta de paz
O principal negociador do Irã instou o governo dos Estados Unidos, nesta terça-feira (12), a aceitar a contraproposta da República Islâmica para pôr fim à guerra, depois que o presidente americano, Donald Trump, declarou que a trégua se encontra em estado crítico.
A guerra iniciada há mais de dois meses com os ataques americanos e israelenses contra o Irã afeta centenas de milhões de pessoas em todo o mundo por suas consequências para a economia global, apesar de um cessar-fogo em vigor desde 8 de abril.
As partes se recusam a fazer concessões e ameaçam retomar os combates, mas nenhum país parece disposto a voltar a uma guerra aberta.
"Não há alternativa a não ser aceitar os direitos do povo iraniano tal como estão expostos na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro", escreveu na rede social X o negociador Mohammad Bagher Ghalibaf.
Quanto mais o governo de Trump demorar a aceitar a proposta, "mais os contribuintes americanos terão que pagar", acrescentou, ao mencionar a oferta enviada em resposta ao plano de Washington.
Nos Estados Unidos, a inflação de abril atingiu seu nível mais alto em três anos, devido às consequências da guerra no Oriente Médio, segundo dados publicados nesta terça-feira, que aumentam a pressão sobre o governo em um ano de eleições legislativas de meio de mandato.
Também nesta terça, o Pentágono indicou, ainda, que o custo da guerra com o Irã se aproxima de 29 bilhões de dólares (142 bilhões de reais), cerca de 4 bilhões 19,5 bilhões de reais) a mais do que o estimado há duas semanas.
- "Tentamos nos apegar a qualquer coisa" -
Segundo vários veículos de imprensa, a proposta americana incluía um memorando de entendimento para encerrar os combates e estabelecia um marco para negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que sua resposta exige o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, a interrupção do bloqueio naval americano aos portos iranianos e a liberação dos ativos iranianos congelados no exterior pelas sanções impostas há vários anos.
Donald Trump considerou a oferta iraniana "totalmente inaceitável" e disse que o cessar-fogo se encontra em estado crítico.
A guerra verbal preocupa os iranianos. "Tentamos nos apegar a qualquer coisa que possa nos ajudar a sobreviver. O futuro é muito incerto e vivemos um dia de cada vez", disse Maryam, uma pintora de 43 anos de Teerã, a jornalistas da AFP que a entrevistaram de Paris.
- Trump deve pressionar a China -
A reação furiosa de Trump provocou uma alta nos preços do petróleo, que permanecem acima dos 100 dólares (490 reais), e frustrou as esperanças de que um acordo sobre o Estreito de Ormuz poderia ser negociado em breve. O Irã restringiu o tráfego marítimo nesta passagem estratégica, onde estabeleceu um mecanismo de cobrança de pedágios.
As autoridades americanas consideram "inaceitável" que Teerã controle o Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, transitavam 20% do petróleo e do gás natural do mundo, além de uma grande quantidade de fertilizantes.
Os mercados aguardam com expectativa a viagem de Trump esta semana a Pequim, onde se reunirá com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, na quarta-feira.
O Irã também acompanhará com muita atenção a visita, na qual o presidente americano tentará pressionar Xi, cujo país é um dos principais compradores de petróleo iraniano.
A guerra também provocou uma escassez de fertilizantes em todo o planeta, o que põe em perigo o abastecimento de alimentos para dezenas de milhões de pessoas.
- Um "inferno" -
Na outra frente de batalha da guerra, o Líbano, os combates prosseguem entre Israel e o grupo pró-iraniano Hezbollah, apesar do cessar-fogo declarado em 17 de abril.
Nesta terça-feira, dois socorristas morreram em um bombardeio israelense no sul do Líbano, e as autoridades locais contabilizam cerca de 380 mortos desde o início do cessar-fogo, assim como mais de 2.800 mortes desde que o país foi arrastado para a guerra em 2 de março, após disparos de mísseis do Hezbollah contra Israel.
O líder do Hezbollah, Naim Qasem, reiterou as ameaças contra seu inimigo. "Não vamos nos render e continuaremos defendendo o Líbano e seu povo, não importa o tempo que levará, nem o tamanho dos sacrifícios", afirmou em um comunicado.
"Não vamos abandonar o campo de batalha e o transformaremos em um inferno para Israel", ameaçou.
C.Koch--VB