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Lula lança plano contra crime organizado a cinco meses das eleições
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, nesta terça-feira (12), um programa de combate ao crime organizado, dias após abordar o assunto em uma reunião em Washington com seu colega americano, Donald Trump, e a cinco meses das eleições, nas quais disputará um novo mandato.
"O ato de hoje é um sinal para a gente dizer ao crime organizado que eles em pouco tempo não serão mais donos de nenhum território", afirmou Lula em um evento em Brasília.
Poderosas organizações criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), controlam territórios como favelas do Rio de Janeiro e de outras cidades. Lucram com o narcotráfico e outros negócios ilegais.
A insegurança é uma das preocupações centrais dos brasileiros e uma das críticas mais frequentes ao petista, considerado brando pela oposição.
"Eu disse ao presidente Trump que se ele estivesse disposto a encarar com seriedade o combate ao crime organizado, o Brasil tinha expertise e queria trabalhar junto", declarou Lula.
Brasil e Estados Unidos firmaram em abril um acordo de intercâmbio de inteligência e dados aduaneiros para conter o tráfico de armas e drogas.
O plano anunciado nesta terça-feira surge em meio a um debate sobre a possibilidade de os Estados Unidos designarem o CV e o PCC como grupos terroristas, medida rejeitada pelo governo Lula sob o argumento da soberania.
O programa busca desarticular as estruturas econômicas e operacionais das facções criminosas por meio de sua asfixia financeira, do combate à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas.
Para isso, o governo prevê recursos diretos de cerca de R$ 1,06 bilhão para 2026 e cerca de R$ 10 bilhões adicionais para que estados e municípios adquiram equipamentos especializados, como drones, veículos blindados e câmeras corporais.
Entre as medidas está também a implantação de padrões de segurança máxima nas prisões, para cortar o comando que líderes das facções exercem a partir das cadeias.
O anúncio ocorre a menos de cinco meses das eleições nas quais Lula, de 80 anos, e que exerce o terceiro mandato na Presidência, deverá enfrentar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes.
Ambos aparecem empatados nas últimas pesquisas de intenção de voto.
F.Mueller--VB