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Starmer decide 'continuar', apesar de pressão e renúncias em seu gabinete
O primeiro-ministro britânico, o trabalhista Keir Starmer, prometeu nesta terça-feira (12) "continuar governando", apesar dos apelos para sua renúncia procedentes de seu partido, incluindo de três membros do gabinete que já deixaram seus cargos.
As secretárias de Estado Miatta Fahnbulleh (Habitação), Jess Phillips (Proteção contra a Violência contra Mulheres e Meninas) e Alex Davies-Jones (Vítimas e Justiça) deixaram seus cargos em desacordo com a liderança do partido, embora Starmer ainda conte com apoio dentro de seu governo.
As vozes dissidentes dentro do Partido Trabalhista surgem após a pesada derrota do governo nas eleições locais e regionais de sete de maio.
Nessas eleições de uma semana atrás, o Partido Trabalhista, que em 2024 pôs fim a 14 anos de governos conservadores, perdeu cerca de 1.500 vereadores e viu um forte avanço do partido anti-imigração Reform UK.
Desde que chegou ao poder, a popularidade do líder, de 63 anos, tem diminuído constantemente em meio a uma economia estagnada e um custo de vida crescente, agravado pela guerra no Oriente Médio.
Starmer enfrentou a votação afetado por um escândalo relacionado à nomeação e subsequente demissão de Peter Mandelson como embaixador britânico em Washington, após a revelação de seus laços com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
Além das três secretárias de gabinete, pelo menos 80 deputados trabalhistas pediram a renúncia de Starmer.
Em resposta a essa oposição, mais de cem deputados trabalhistas assinaram uma carta de apoio ao primeiro-ministro. "Na semana passada tivemos resultados eleitorais duros. Isso demonstra que temos uma tarefa difícil pela frente para recuperar a confiança do eleitorado", afirmaram em uma carta.
"Esse trabalho deve começar hoje, com todos nós trabalhando juntos para oferecer a mudança de que o país precisa. Devemos nos concentrar nisso. Este não é o momento para uma disputa pela liderança", acrescentaram.
Os trabalhistas têm maioria absoluta no Parlamento, com 403 deputados, alguns favoráveis a Starmer e outros contrários, em uma Câmara de 650.
Apesar dessa divisão, Starmer assegurou que continuará no cargo.
"O Partido Trabalhista tem um processo para destituir um líder, e esse processo ainda não foi acionado. O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e é isso que devemos fazer como gabinete", disse Starmer.
- Apoio a Starmer -
Figuras importantes do governo trabalhista pediram a renúncia de Starmer, segundo a imprensa britânica.
O processo do Partido Trabalhista para desafiar um líder, mencionado por Starmer no comunicado de Downing Street nesta terça-feira, exige que o candidato declare formalmente a intenção de concorrer e obtenha o apoio de 81 deputados (20% do grupo parlamentar).
Starmer conta com apoiadores no governo, como o vice-primeiro-ministro e ministro da Justiça, David Lammy, e o ministro do Comércio, Jonathan Reynolds, segundo a Sky News.
O ministro do Trabalho, Pat McFadden, encorajou Starmer a "continuar lutando".
"Ele continuará fazendo o seu trabalho como deve e como o povo espera que ele faça", declarou McFadden.
Muitos membros do Partido Trabalhista estão ansiosos para evitar uma repetição da situação de 2022, quando os conservadores tiveram três primeiros-ministros em quatro meses.
- Candidatos -
Uma possível saída de Starmer não desencadearia eleições legislativas, mas sim a sua substituição por outra figura do Partido Trabalhista.
A imprensa britânica tem mencionado vários nomes há semanas, sendo Wes Streeting, o atual ministro da Saúde, uma das opções. Streeting, de 43 anos, é membro do Parlamento, um pré-requisito para se tornar primeiro-ministro.
Outro forte concorrente é Andy Burnham, de 56 anos, prefeito da Grande Manchester e, segundo as pesquisas, a figura trabalhista mais popular. No entanto, Burnham não pode se candidatar porque não ocupa uma cadeira no Parlamento.
Para que ele pudesse se candidatar, as eleições teriam que ser realizadas em um distrito eleitoral onde a vitória dos trabalhistas fosse garantida, mas isso levaria meses e exigiria que um membro do Parlamento renunciasse para abrir espaço para ele.
Outra opção é a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner, de 46 anos.
T.Egger--VB