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Califórnia nas mãos de um republicano? Divisão entre democratas pode abrir caminho
A Califórnia enfrenta a possibilidade do que por muito tempo pareceu improvável: ser governada por um republicano. Os democratas controlam o "estado dourado" desde que o astro Arnold Schwarzenegger deixou o governo em 2011 e retornou a Hollywood.
Agora, com as primárias prestes a começar, dois republicanos emergem como favoritos do eleitorado, o que alimenta a teoria de que nenhum democrata chegará à eleição geral em novembro.
Ao contrário de outros estados, onde cada partido realiza suas próprias eleições para escolher um candidato, a Califórnia tem uma primária "selvagem" que coloca todos contra todos.
O confronto final pode envolver Chad Bianco, o xerife bigodudo do condado de Riverside, e o estrategista político britânico-americano Steve Hilton.
"Seremos eu e ele em novembro", disse Bianco em um debate recente, referindo-se a Hilton.
Os estilos são diferentes, mas ambos lucram com o profundo descontentamento que permeia a Califórnia.
- Indecisos -
A Califórnia, lar do Vale do Silício, é o estado mais populoso dos Estados Unidos e, se fosse um país, representaria a quarta maior economia do mundo.
No entanto, muitos californianos reclamam amargamente do custo de vida, com os preços altos dos imóveis e a gasolina mais cara dos Estados Unidos.
O número de pessoas sem-teto, particularmente perceptível em grandes cidades como Los Angeles e San Francisco, também afeta os moradores do estado da costa oeste, famoso por suas praias e vinhos.
"Quando os eleitores estão insatisfeitos, geralmente culpam o partido no poder", disse Sara Sadhwani, cientista política do Pomona College, à AFP.
No entanto, a analista acredita que a tendência ainda pode ser revertida, a um mês das eleições primárias.
Segundo as pesquisas, quase um quarto dos eleitores está indeciso, então a perspectiva ainda é incerta, explica Sadhwani.
"Em última análise, a Califórnia é um estado de maioria democrata", observou.
- Muitos candidatos -
Há mais de 60 candidatos registrados para as primárias pelo governo da Califórnia, dos quais 24 são democratas, mas apenas alguns são conhecidos.
Todos eles enfatizam questões semelhantes: moradia acessível, melhoria do sistema de saúde e confrontar o presidente Donald Trump, que é impopular na Califórnia.
Com uma lista tão ampla de candidatos, que dispersa os votos em várias direções, crescem os apelos para que os candidatos com poucas chances de vitória desistam da disputa e permitam que um ou dois nomes se destaquem.
Entre os democratas, o favorito é Tom Steyer, um financista bilionário que propõe que os ricos paguem mais impostos.
Durante uma visita recente a Los Angeles, ele disse à AFP que não pediria a nenhum candidato que desistisse. "Acho que seria o cúmulo da arrogância dizer a alguém o que fazer", afirmou.
Ele é seguido nas pesquisas por Xavier Becerra, ex-secretário de Saúde do governo do ex-presidente Joe Biden.
Becerra se beneficiou da queda em desgraça de Eric Swalwell, o congressista que teve que desistir da corrida presidencial após ser acusado de estupro e assédio sexual.
A ex-congressista Katie Porter não chega a dois dígitos nas pesquisas, mas está à frente do prefeito de San Jose, Matt Mahan, e do ex-prefeito de Los Angeles, Antonio Villaraigosa, que obtêm menos de 5%.
Todos participarão de um debate televisionado na noite desta terça-feira, em um formato que oferece pouca margem para destacarem seus pontos fortes individuais.
"Isso é pior do que meus filhos adolescentes na hora do jantar", lamentou Porter durante o debate anterior, quando todos os participantes falaram ao mesmo tempo.
B.Baumann--VB