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Coreia do Norte e Belarus assinam tratado de 'amizade e cooperação'
Os líderes da Coreia do Norte e de Belarus assinaram nesta quinta-feira (26) um tratado de "amizade e cooperação" que marca uma "nova fase" nas relações entre os dois países, com governos próximos da Rússia e contrários ao Ocidente, informaram meios de comunicação estatais.
O presidente bielorrusso Alexander Lukashenko iniciou na quarta-feira sua primeira visita ao hermético país asiático, a convite do líder Kim Jong Un.
"As relações amistosas entre nossos Estados, nascidas na era da União Soviética, nunca foram interrompidas. Hoje, graças a um desenvolvimento integral e sustentado, entramos em uma fase fundamentalmente nova", declarou Lukashenko, citado pela agência estatal de notícias BelTA.
Ele acrescentou que "nas realidades modernas da transformação global, no momento em que as grandes potências mundiais ignoram abertamente e violam o direito internacional, os países independentes devem cooperar de maneira mais estreita e consolidar seus esforços para proteger a soberania e melhorar o bem-estar de seus cidadãos".
Os dois países apoiam a Rússia na guerra contra a Ucrânia e enfrentam sanções ocidentais, ao mesmo tempo que são acusados de graves violações dos direitos humanos.
A BelTA divulgou imagens em que Kim e Lukashenko aparecem se abraçando em uma cerimônia de boas-vindas que incluiu salvas de artilharia e um desfile de soldados na praça Kim Il Sung.
O ministro bielorrusso das Relações Exteriores, Maxim Ryzhenkov, disse que os dois países devem cooperar em diversas áreas, da agricultura à informação.
Ele admitiu que o comércio entre os dois países é "modesto", mas destacou que há margem para crescimento na exportação de produtos farmacêuticos e de alimentos bielorrussos para a Coreia do Norte.
Ryzhenkov destacou ainda que seu país tem interesse em importar produtos cosméticos norte-coreanos, conhecidos por sua qualidade e preços reduzidos.
- Aliados de Moscou -
Os dois países prestaram assistência à Rússia em sua guerra na Ucrânia: Pyongyang enviou soldados e armas, enquanto Minsk serviu como plataforma para o início da invasão russa em 2022.
Os serviços de inteligência sul-coreanos e de países ocidentais avaliam que a Coreia do Norte enviou milhares de soldados à Rússia, principalmente para a região de Kursk, além de projéteis de artilharia, mísseis e sistemas de foguetes.
A Coreia do Norte enfrenta uma série de sanções ocidentais, a maioria devido ao seu programa de armas nucleares e mísseis, mas também por seu apoio à Rússia na guerra contra a Ucrânia.
Analistas indicam que a Coreia do Norte recebeu em troca ajuda financeira, tecnologia militar, alimentos e energia por parte da Rússia. Putin visitou o país em 2024.
O apoio ajudou Pyongyang a reduzir a dependência de sua principal base de ajuda, a China.
Organizações internacionais de direitos humanos acusam a Coreia do Norte de torturas, execuções públicas, trabalho forçado e restrições severas à liberdade de expressão e de movimento.
Lukashenko, por sua vez, aproximou Minsk ainda mais da órbita russa e reprimiu a dissidência durante as três décadas em que está no poder.
Os países ocidentais adotaram sanções contra Belarus pelo papel do país em facilitar a invasão da Rússia ao território da Ucrânia, assim como pela repressão durante os protestos de 2020.
Belarus libertou dezenas de presos políticos nos últimos meses, mas ainda mantém centenas de outros, muitos deles detidos após as eleições de 2020, amplamente consideradas fraudulentas pela oposição.
C.Stoecklin--VB