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Irã e Israel mantêm ataques mútuos, apesar dos esforços para encerrar a guerra
Irã e Israel lançaram novos ataques mútuos nesta terça-feira (24) e os Estados Unidos afirmaram que "continuam" com sua ofensiva, apesar dos esforços diplomáticos para levar Teerã e Washington à mesa de negociações para encontrar uma saída para a guerra.
A Casa Branca admite explorar "novas" opções diplomáticas, mas advertiu que sua ofensiva "continua sem cessar para atingir os objetivos militares estabelecidos pelo comandante-em-chefe e o Pentágono".
Neste contexto, a via diplomática foi ativada em várias frentes para acabar com uma disputa bélica que desestabilizou os mercados de energia.
Sehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, país aliado do Irã, disse, nesta terça-feira, que está disposto a sediar os diálogos, quando a guerra entra em sua quarta semana, paralisando parte do transporte mundial de hidrocarbonetos.
Para Michael Kugelman, especialista em sudeste asiático no centro de estudos Atlantic Council, a implicação de Islamabad na mediação faria sentido.
"O Paquistão é um dos poucos países que mantêm relações próximas tanto com Teerã quanto com Washington", explicou.
Outros países têm se mobilizado a favor do diálogo, como o Catar, que "apoia todos os esforços diplomáticos", mas não participa de forma "direta" deles.
O Egito parece estar jogando suas próprias cartas. Seu ministro das Relações Exteriores, Badr Abdelatty, conversou com Irã, Estados Unidos, Turquia e Paquistão nos últimos dias, segundo vários comunicados oficiais.
O Cairo está habituado a este papel de facilitador: no ano passado, sediou negociações entre Teerã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Mas para negociar é preciso que as duas partes estejam comprometidas e ninguém sabe quem representa o Irã 24 horas depois de declarações contraditórias do presidente americano, Donald Trump.
Na segunda-feira, Trump primeiro adiou por "cinco dias" os bombardeios que tinha ameaçado lançar contra a rede elétrica iraniana se Teerã se negasse a desbloquear o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estratégica por onde costumavam circular 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Em seguida, afirmou que Teerã e Washington tinham encontrado "pontos de acordo importantes" em negociações com um misterioso "líder" que não identificou, embora tenha dito que não se tratava do líder supremo Mojtaba Khamenei.
Mais tarde, porém, ameaçou "continuar bombardeando alegremente" a República Islâmica se as negociações fracassassem.
- Os combates continuam -
Os combates continuam em meio às incertezas.
Um ataque atingiu um bairro nobre do norte de Tel Aviv, deixando quatro feridos. Mais tarde, dois adultos e um bebê ficaram feridos no sul de Israel.
Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait também disseram que foram alvos de ataques com drones e mísseis, sem terem registrado vítimas.
No entanto, um civil marroquino que trabalhava para o Exército dos Emirados Árabes Unidos morreu devido ao impacto de um míssil iraniano no Bahrein.
O Exército israelense, por sua vez, lançou "uma série de bombardeios em larga escala (...) em várias regiões do Irã", inclusive em Isfahan.
Algumas instalações desta cidade do centro do país foram "parcialmente danificadas" e um projétil atingiu as imediações de uma usina de tratamento do gasoduto de Jorramshahr, no sudoeste do país, segundo a agência de notícias Fars.
Em Teerã, a população sofre com bombardeios constantes.
"É como se tivéssemos nos acostumado à situação. Os barulhos, as explosões e os mísseis fazem parte da nossa vida cotidiana", disse por telefone à AFP uma mulher de 35 anos, originária do Curdistão iraniano e moradora de Teerã.
- "Não vão voltar" -
Israel, também em guerra contra o movimento libanês pró-iraniano Hezbollah, anunciou, nesta terça, que vai se apoderar de uma vasta área do sul do Líbano para garantir sua segurança, enquanto continua atacando o restante do território libanês, com três mortos perto de Beirute e outros cinco no sul.
"As centenas de milhares de habitantes do sul do Líbano que foram evacuados para o norte não vão voltar para o sul do (rio) Litani até que não seja garantida a segurança dos habitantes do norte (de Israel)", advertiu o ministro da Defesa israelense, Israel Katz.
burx-dla-jvb/apz/erl/an/mvv/am
S.Spengler--VB