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Com cortes na internet, Moscou retrocede 'vinte anos'
"Regressão", um "pesadelo" diário... os bloqueios da internet móvel impostos pelas autoridades para "proteger" os cidadãos russos de ataques ucranianos enfurecem os moscovitas, embora alguns digam compreender o imperativo de segurança.
"Estou pensando em mudar de emprego!", disse Shamjan enfurecido, um taxista que aponta, entre outros problemas, o acesso instável aos sistemas de navegação GPS.
"Estamos lidando com isso há um ou dois anos, mas nas últimas duas semanas tornou-se impossível", afirmou à AFP.
Alguns clientes solicitam táxis por meio de familiares ou conhecidos que moram em bairros onde a internet funciona. Mas, ao chegar lá, o taxista muitas vezes não consegue localizar o passageiro devido à falta de conexão.
A cidade de Moscou foi, por muito tempo, pioneira na Europa em termos de desenvolvimento digital e conectividade, destacando-se em diversas ocasiões em rankings internacionais.
Há vários meses, as dificuldades também afetaram os aplicativos de mensagens. O WhatsApp e o Telegram estão praticamente inutilizáveis em celulares sem VPN em Moscou e muitas outras regiões.
Mesmo com uma VPN ativada, é impossível se conectar em diversos bairros de Moscou. Esse bloqueio já afetou muitas áreas, principalmente no sul da Rússia, perto da Ucrânia.
Os moradores da capital recorrem à rede celular para fazer ligações ou enviar mensagens SMS.
Os mais cautelosos compram mapas de papel da cidade. As vendas desses mapas dispararam nos primeiros dias dos bloqueios, no início de março, na plataforma online Wildberries, segundo a mídia russa.
- "Teletransportados" -
Quatro anos após o início da ofensiva russa em larga escala na Ucrânia, o porta-voz de Vladimir Putin, Dmitri Peskov, afirmou que essas "medidas de resposta tecnológica são necessárias para garantir a segurança dos cidadãos".
Segundo ele, Kiev utiliza "métodos cada vez mais sofisticados para seus ataques", realizados com drones, alguns deles conectados à internet.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, explicou que cerca de 250 drones ucranianos que se dirigiam para a capital foram destruídos no último fim de semana.
O governo ainda permite que alguns sites continuem operando, como os pertencentes a serviços estatais ou o MAX, o aplicativo nacional de mensagens criticado por alguns que temem que se torne uma poderosa ferramenta de vigilância.
"Sentimos como se tivéssemos sido teletransportados 20 anos atrás", diz Julia Kuzmina, de 28 anos, que trabalha em uma loja online de produtos de beleza.
As tentativas de organizar protestos contra o bloqueio da internet foram limitadas e rapidamente reprimidas pelas autoridades no final de fevereiro e início de março, como costuma acontecer na Rússia.
M.Vogt--VB