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Irã afirma que não se renderá aos Estados Unidos e a Israel
O Irã prometeu neste sábado (7) que não se renderá aos Estados Unidos nem a Israel, no oitavo dia de guerra, quando caças israelenses bombardearam um dos dois aeroportos de Teerã e provocaram um incêndio.
A onda de ataques israelenses durante a madrugada de sábado foi uma das mais intensas desde o início da guerra, há uma semana. Entre os alvos estavam uma academia militar, um centro de comando subterrâneo e um depósito de mísseis.
Outro alvo dos bombardeios foi o aeroporto internacional de Mehrabad, um dos dois da capital iraniana, que sofreu um grande incêndio.
"Não acredito que alguém que não tenha vivido uma guerra possa compreender", disse, aterrorizado, à AFP um professor de 26 anos de Teerã. "Quando você ouve as bombas, não sabe onde elas vão cair", acrescentou o morador da capital iraniana, que pediu anonimato.
Israel bombardeou, simultaneamente, vários alvos do Hezbollah no sul e leste do Líbano. O partido-milícia pró-iraniano afirmou que impediu uma tentativa israelense de incursão nas imediações da fronteira síria.
O Ministério da Saúde do Líbano anunciou um balanço de 16 mortos nos ataques de sábado.
No oitavo dia de conflito, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou um tom desafiador em relação ao homólogo americano Donald Trump, que na sexta-feira exigiu a "rendição incondicional" de Teerã para acabar com a guerra.
"Os inimigos levarão para o túmulo seu desejo de que o povo iraniano se renda", disse Pezeshkian em um discurso exibido na televisão.
- Ataque a um petroleiro -
A República Islâmica, que há uma semana perdeu em um bombardeio o líder supremo do país, Ali Khamenei, prosseguiu com a campanha de represálias.
Neste sábado, foram ouvidas sirenes e explosões em Jerusalém e em cidades do Golfo como Dubai, Manama e Riade, onde as defesas sauditas interceptaram mísseis direcionados contra uma base aérea com militares americanos.
O aeroporto de Dubai, o de maior tráfego internacional do mundo, suspendeu suas operações por alguns minutos, mas pouco depois retomou parcialmente os voos após uma interceptação de projéteis iranianos. Uma testemunha disse à AFP que ouviu uma forte explosão.
A guerra também afeta o tráfego marítimo devido ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz, por onde, em um período normal, transita 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos em todo o planeta.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou neste sábado que atacou, com um drone, um petroleiro que tentava atravessar a passagem estratégica que dá acesso ao Golfo Pérsico.
- Desculpas -
Em seu discurso, Pezeshkian pediu desculpas aos países vizinhos do Golfo, incluindo muitos que abrigam bases americanas, e prometeu que não haverá mais lançamentos de projéteis contra estas nações, "exceto em caso de ataque contra o Irã a partir desses territórios".
A guerra, que entra na segunda semana, começou em 28 de fevereiro com a campanha conjunta de bombardeios israelenses e americanos no Irã, acusado de tentar desenvolver armamento atômico e de ameaçar Israel e EUA com seu arsenal de mísseis.
Desde então, o conflito atingiu o restante do Golfo, o Líbano, Chipre – país membro da UE que abriga duas bases britânicas –, Azerbaijão, Turquia e até as costas do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou uma fragata iraniana.
O tráfego aéreo continua fortemente perturbado nas ricas monarquias do Golfo. O preço do petróleo disparou 30% em uma semana, o que levou a cotação do Brent e do WTI a ultrapassarem a marca de 90 dólares.
O comando militar americano para o Oriente Médio afirma que atacou quase 3.000 alvos desde o início da operação "Fúria Épica" contra Teerã.
- Custo humano -
Dentro do Irã, os danos a edifícios residenciais e infraestruturas prosseguem: os moradores de Teerã vivem ansiosos e atentos à grande presença de agentes das forças de segurança nas ruas.
O Ministério da Saúde iraniano afirmou na sexta-feira que os ataques israelenses e americanos mataram 926 civis e deixaram quase 6.000 feridos. A AFP não tem condições de verificar os números de forma independente.
Dez pessoas morreram em Israel e 13 nos países do Golfo desde o início da guerra, em consequência das represálias iranianas. As forças americanas perderam seis membros desde o início do conflito.
No Líbano, arrastado para a guerra na segunda-feira, quando o Hezbollah disparou projéteis contra Israel, o governo anunciou um balanço de 217 mortos. O primeiro-ministro Nawaf Salam advertiu que o país está próximo de um "desastre humanitário".
Quase 300.000 pessoas abandonaram suas casas no sul e no leste do país e na periferia sul de Beirute, reduto do Hezbollah, segundo a ONG Conselho Norueguês para os Refugiados.
- Inteligência russa -
Segundo a imprensa americana, a Rússia fornece informações ao Irã sobre possíveis alvos americanos, mas Washington minimizou a possibilidade.
"Não estamos preocupados. Vamos lidar com isso, se for necessário", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, segundo trechos divulgados de uma entrevista ao programa "60 Minutes" da CBS, que deve ser exibida no domingo.
Na sexta‑feira, Trump prometeu ajudar a reconstruir a economia iraniana se Teerã nomear alguém "aceitável" como sucessor de Khamenei.
Antes da eleição do novo líder supremo, o país é governado interinamente por um triunvirato integrado pelo presidente Pezeshkian, pelo chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejeí, e por um dirigente religioso membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho de Guardiães da Constituição, Alireza Arafi.
Amir Saeid Iravani, embaixador do Irã na ONU, afirmou que Washington não terá qualquer papel na escolha do próximo líder supremo, figura com mais poder do que o presidente em Teerã e que detém a palavra final em questões de política externa.
"A escolha da liderança iraniana obedecerá estritamente aos nossos procedimentos constitucionais e seguirá apenas a vontade do povo iraniano, sem interferência estrangeira", declarou.
burs/avl/dbh/fp
B.Wyler--VB