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Israel ordena evacuação de subúrbio de Beirute, enquanto guerra se intensifica
Israel ordenou, nesta quinta-feira (5), a evacuação de todos os subúrbios do sul de Beirute, reduto do movimento Hezbollah pró-iraniano, provocando uma fuga em massa da população, enquanto a guerra no Oriente Médio se espalha e cresce o temor de seu impacto na economia mundial.
Estados Unidos e Israel iniciaram, no último sábado, uma ofensiva em larga escala contra o Irã, ao qual acusam de querer desenvolver armas atômicas e de preparar um ataque.
A guerra continua nesta quinta-feira com bombardeios israelenses contra Teerã e represálias iranianas que estendem o conflito.
A contenda chegou à costa do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou na quarta-feira um navio de guerra iraniano, e ao Azerbaijão, país vizinho que ameaça adotar represálias depois que um drone atingiu um aeroporto.
"Não vai ficar sem resposta", advertiu o ministério da Defesa azerbaijano. O exército iraniano negou ter disparado drones contra este país do Cáucaso, e acusou Israel.
O Líbano foi arrastado para o conflito na segunda-feira, quando o grupo Hezbollah pró-iraniano atacou Israel para vingar a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, morto no sábado nos ataques americanos-israelenses.
Israel respondeu com bombardeios e suas tropas entraram em várias localidades fronteiriças do Líbano na quarta-feira.
Em mensagem dirigida aos moradores dos subúrbios sul de Beirute, reduto do Hezbollah, o exército convocou a população a deixar suas casas.
"Salvem suas vidas e evacuem suas residências de imediato", advertiu um porta-voz militar, após o que se formaram enormes engarrafamentos.
As autoridades libanesas contabilizaram pelo menos 102 mortos e 83.000 deslocados desde a segunda-feira.
- Do Iraque à Turquia -
Em um sinal da disseminação do conflito armado, o Irã informou ter atacado grupos curdos baseados no Iraque, e disse ter lançado um ataque com drones contra uma base americana em Erbil, capital do Curdistão iraquiano.
A Casa Branca desmentiu que os Estados Unidos tenham a intenção de armar as milícias curdas contra o Irã para provocar um levante, mas confirmou que o presidente Donald Trump falou com "líderes curdos" que estavam em uma base dos EUA no Iraque.
A lista de países que participam do conflito, ainda que indiretamente, também cresce.
A Austrália enviou dois aviões militares para a região, a Espanha anunciou o deslocamento de uma fragata para o Chipre e a Itália decidiu enviar elementos de defesa aérea aos países do Golfo.
A guerra também afetou a Turquia, país-membro da Otan, depois que as defesas aéreas da Aliança destruíram na quarta-feira um míssil lançado do Irã que se dirigia ao espaço aéreo turco.
- "É assustador" -
Alguns iranianos que permaneceram na capital estão com medo, mas esperam ver a queda do regime dos aiatolás, que em dezembro reprimiu de maneira extremamente violenta as manifestações antigovernamentais.
"É assustador, mas deixar que estas pessoas controlem o governo é mais assustador do que mil aviões armados voando na direção da sua cidade", declarou à AFP um morador de Teerã de 30 anos, que pediu anonimato.
"A esperança é a única coisa que nos resta agora", acrescentou.
O país está isolado do resto do mundo, com a internet funcionando em apenas 1% de sua capacidade, segundo o site Netblocks.
Telefonar é quase impossível. "Você não consegue ligar e as mensagens de voz não são entregues. Só conseguimos enviar textos", afirmou à AFP em mensagem por escrito um morador de Teerã, que também pediu anonimato.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que seu homólogo americano, Pete Hegseth, disse que ele deve prosseguir com a operação "até o fim".
O conflito não poupou as ricas monarquias do Golfo, que eram consideradas um refúgio seguro em uma região volátil. O Irã continua atacando suas cidades e infraestruturas energéticas.
Treze pessoas morreram em países do Golfo desde o início da guerra e outras dez em Israel.
A Rússia afirmou que o Irã não pediu ajuda militar ao país.
- "Catastrófico" -
Em Washington, Trump obteve uma vitória política na quarta-feira, quando o Senado rejeitou uma resolução que pretendia limitar seus poderes neste conflito bélico.
A guerra pode provocar um "período prolongado de instabilidade" para a economia global, advertiu a diretora geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva.
A poderosa Guarda Revolucionária do Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, via por onde transitam 20% do petróleo mundial.
Com voos cancelados e turistas retidos ou repatriados às pressas, a guerra também afeta o turismo em uma região que se tornou o destino favorito de muitos viajantes.
"Meu último grupo de turistas partiu há três dias e todos os outros programados para março foram cancelados", contou Nazih Rawashdeh, um guia turístico de Irbid, no norte da Jordânia.
"Aqui, estamos no começo da alta temporada. É catastrófico", declarou à AFP.
burs-myl/vla/arm-erl/fp/yr/mvv
D.Bachmann--VB