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Pânico nos subúrbios de Beirute após Israel pedir evacuação
O pânico tomou conta de Beirute nesta quinta-feira (5), após um apelo sem precedentes de Israel para que os moradores dos subúrbios do sul da capital libanesa saíssem da cidade, prevendo bombardeios contra esse reduto do Hezbollah.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio na segunda-feira, após o primeiro ataque contra Israel realizado pelo movimento pró-Irã.
O Hezbollah alegou que queria "vingar" a morte do aiatolá Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia da ofensiva israelense-americana, no sábado.
Pelo menos 102 pessoas morreram desde segunda-feira e outras 90 mil foram deslocadas, segundo as autoridades, devido à campanha de ataques israelenses.
"Salvem suas vidas e evacuem suas casas imediatamente", instou o exército israelense nesta quinta-feira aos moradores de toda a periferia sul de Beirute, onde vivem centenas de milhares de pessoas.
Pouco depois, algumas pessoas dispararam tiros para o ar para alertar a população, e enormes congestionamentos se formaram nos arredores desses bairros.
"Muito em breve, Dahiyeh [os subúrbios do sul de Beirute] se assemelhará a Khan Yunis", declarou o ministro da Economia israelense, Bezalel Smotrich, um político de extrema direita, referindo-se a uma cidade no sul de Gaza devastada pelos bombardeios israelenses durante a guerra com o Hamas.
Israel, cujo exército entrou em diversas cidades no sul do Líbano, também renovou nesta quinta-feira seu apelo para a evacuação de uma grande área entre a fronteira e o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte.
Esses apelos, dirigidos à população de uma vasta área do sul do Líbano que abrange aproximadamente 8% do território, "muito provavelmente violam as leis de guerra", segundo a ONG Human Rights Watch (HRW).
- Oito mortos nesta quinta-feira -
A agência de notícias libanesa ANI informou que seis membros de duas famílias foram mortos nesta quinta-feira em ataques aéreos no sul do Líbano.
No leste do país, longe da fronteira com Israel, um ataque atingiu um carro na estrada que leva à cidade de Zahlé, matando duas pessoas, segundo o Ministério da Saúde.
Autoridades libanesas também anunciaram três novas mortes em ataques israelenses que atingiram dois carros na rodovia que leva ao aeroporto de Beirute.
Além disso, segundo Ani, Israel matou um membro de alto escalão do Hamas, Wasim Atala al-Ali, em um campo de refugiados no norte do país.
O Hezbollah reivindicou a autoria de dois novos ataques contra o norte de Israel nesta quinta-feira.
Autoridades libanesas decidiram na segunda-feira "proibir imediatamente todas as atividades militares e de segurança do Hezbollah" após o primeiro ataque contra Israel, que provocou uma resposta contundente.
Em uma tentativa de apertar ainda mais o cerco, o governo decidiu nesta quinta-feira proibir qualquer atividade militar potencial da Guarda Revolucionária do Irã, seu exército ideológico.
O Hezbollah enfrentará a "agressão israelense-americana" e não se renderá, afirmou seu líder, Naim Qassem, em um discurso transmitido pelo canal de seu partido, o primeiro desde o início da ofensiva.
O grupo armado xiita relatou pela primeira vez na quarta-feira confrontos "diretos" com soldados israelenses que entraram em Jiam, a seis quilômetros da fronteira com Israel.
Segundo os termos do cessar-fogo assinado em novembro de 2024, apenas as forças de paz da ONU e o Exército libanês estão autorizados a portar armas ao sul do rio Litani, uma área de fronteira com Israel.
Israel deveria ter retirado todas as suas forças, mas manteve tropas em cinco pontos que considera estratégicos e efetuou bombardeios regulares devido à recusa do Hezbollah em depor as armas.
C.Kreuzer--VB