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Irã afirma que há acordo com EUA sobre 'linhas gerais' para um pacto
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou nesta terça-feira (17) que na última rodada de conversas com os Estados Unidos foram acordadas as "linhas gerais" para um pacto, após semanas de ameaças cruzadas e o envio de um porta-aviões por Washington como medida de pressão.
Esta segunda rodada de conversas sob a mediação de Omã busca um acordo sobre o programa nuclear do Irã, em troca do levantamento das sanções americanas em um contexto de crise econômica aguda, que foi um dos fatores que desencadearam os protestos das últimas semanas.
Araghchi declarou que a última rodada de conversas com os Estados Unidos foi construtiva e que foram acordadas as "linhas gerais" para um pacto, e especificou que não há uma data para continuar o diálogo.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al Busaidi, celebrou os "avanços" alcançados e afirmou que as negociações permitiram progressos na identificação de "objetivos comuns e questões técnicas".
"Ainda há muito a fazer, e as partes saíram com objetivos claros para a próxima reunião", acrescentou.
Por enquanto, os Estados Unidos não se pronunciaram sobre sua percepção das negociações.
- Ameaças do aiatolá -
Paralelamente às conversas diplomáticas na Suíça, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, lançou advertências aos Estados Unidos após o envio de navios de guerra ao Oriente Médio.
"Ouvimos o tempo todo que [os Estados Unidos] enviaram um navio de guerra ao Irã. Um navio de guerra é efetivamente uma arma perigosa, mas mais perigosa é a arma capaz de afundá-lo", declarou o aiatolá.
O porta-aviões "USS Abraham Lincoln", com cerca de 80 aeronaves a bordo, foi mobilizado por Washington junto com outros 11 navios de guerra e encontrava-se no domingo a cerca de 700 km das costas do Irã, segundo imagens de satélite.
Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o envio à região de outro porta-aviões, o "USS Gerald R. Ford", que foi mobilizado no Caribe como parte da operação contra Nicolás Maduro.
A ameaça de Khamenei ocorreu um dia depois de a Guarda Revolucionária iraniana mobilizar barcos e helicópteros, e testar drones e mísseis, em um exercício militar com ares de demonstração de força no estratégico estreito de Ormuz.
A emissora estatal indicou que o Irã fechará parcialmente partes desse estreito "por segurança", embora não tenha especificado por quanto tempo a medida será mantida. Por Ormuz transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos mundialmente.
— Postura "mais realista" —
As conversas desta terça-feira ocorreram na residência do embaixador de Omã em Cologny, perto de Genebra, na presença das delegações iraniana e americana, esta última liderada pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner.
Na segunda-feira, o porta-voz da Chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou que "a postura dos Estados Unidos sobre a questão nuclear iraniana se tornou mais realista".
Mas o presidente americano, Donald Trump, voltou a pressionar Teerã, ao assegurar que participará "indiretamente" das negociações.
"Eles querem chegar a um acordo (...) Não acho que queiram as consequências de não alcançar um acordo", advertiu o líder republicano.
— "Dilema existencial" —
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de querer se dotar de armas nucleares.
Teerã nega ter tais ambições, mas insiste em seu "direito inalienável" de desenvolver um programa nuclear civil e de enriquecer urânio, especialmente para fins energéticos, em conformidade com as disposições do Tratado de Não Proliferação (TNP), do qual é signatário.
Trump multiplicou os alertas após a sangrenta repressão às manifestações antigovernamentais em massa em janeiro no Irã, ao mesmo tempo em que deixou a porta aberta para uma solução diplomática, especialmente sobre o programa atômico.
Ambos os países divergem sobre o conteúdo das discussões.
O Irã quer falar apenas de seu programa nuclear, mas Washington também exige que limite seu programa de mísseis balísticos e deixe de apoiar grupos armados regionais.
Em meio aos desacordos, o Irã se mostrou disposto a chegar a um pacto sobre suas reservas de urânio altamente enriquecido, estimadas em mais de 400 quilos e cujo destino é incerto, caso Washington suspenda as sanções.
O Irã "está confrontado com um dilema existencial: ceder às exigências americanas poderia permitir-lhe obter um alívio das sanções, algo de que precisa desesperadamente", declarou à AFP Ali Fathollah-Nejad, diretor do Center for Middle East and Global Order.
Mas "qualquer concessão significativa nas questões nucleares, balísticas e relacionadas aos aliados regionais poderia comprometer gravemente sua posição ideológica e militar", acrescentou.
O.Schlaepfer--VB