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Reunidos na Armênia, Europa e Canadá unem forças contra Trump
A Europa e o Canadá apresentaram uma frente unida, nesta segunda-feira (4), durante um importante encontro diplomático na Armênia, determinados a estreitar laços em um mundo abalado pelo presidente americano, Donald Trump.
"Não acreditamos que estejamos condenados a nos submeter a um mundo mais transacional, insular e brutal", disse o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, na abertura da cúpula da Comunidade Política Europeia (CPE) em Yerevan.
Esta é a primeira vez que um líder não europeu é convidado para este fórum informal, que reúne quase todos os países europeus duas vezes por ano, com exceção da Rússia e de Belarus.
"Encontros como este abrem um novo caminho para nós", disse o chefe de Governo canadense, que nos últimos meses se tornou a figura mais visível de uma aliança de "potências médias" contra "potências hegemônicas" como os Estados Unidos e a China.
O encontro ocorre após a decisão de Trump de retirar 5.000 soldados americanos da Alemanha. O presidente americano também ameaçou a UE com novas tarifas alfandegárias.
"Hoje estamos pagando o preço pela nossa excessiva dependência da proteção oferecida pelos Estados Unidos em matéria de defesa e segurança", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron.
"Se Mark (Carney) também está presente, é porque se sente cada vez mais próximo dos europeus, porque estamos todos juntos nisso e porque acreditamos que é necessário que estejamos", comentou.
Os europeus também se comprometeram a reforçar as suas próprias capacidades de defesa.
A retirada das tropas americanas da Alemanha "demonstra que devemos realmente fortalecer o pilar europeu da Otan e que devemos fazer mais", afirmou a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas.
- Zelensky na Armênia -
O apoio à Ucrânia é outro tema central na reunião em Yerevan.
Os europeus assumiram o financiamento do esforço de guerra de Kiev, substituindo os americanos, com um empréstimo de 90 bilhões de euros (aproximadamente R$ 526 bilhões) aprovado em abril.
"Resistam à tentação de relaxar as sanções contra a Rússia", insistiu Zelensky, enfatizando a necessidade de "pressionar" o presidente russo, Vladimir Putin, para uma solução diplomática.
Entre os poucos ausentes nesta reunião estavam o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, teve sua viagem atrasada por um problema técnico, mas conseguiu chegar à Armênia.
Por uma ironia geográfica, as discussões acontecem em um país vizinho ao Irã, o que amplifica as preocupações dos europeus, que sofrem repercussões significativas do conflito no Oriente Médio, particularmente no setor energético.
A reunião do CPE será seguida, na terça-feira, pela primeira cúpula UE-Armênia, em formato reduzido, e Macron iniciará uma visita de Estado bilateral na noite de segunda-feira.
A Armênia, ex-república soviética, busca fortalecer seus laços com a União Europeia.
Em 2025, o país adotou uma lei que declara oficialmente sua intenção de solicitar a adesão à UE, após um acordo de associação assinado em 2017. A solicitação ainda não foi formalmente apresentada.
Putin já alertou o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinyan, de que a adesão de seu país à UE seria "simplesmente impossível" devido aos vínculos entre as economias armênia e russa.
P.Vogel--VB